Aos interessados

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Sejam todas e todos muito bem vindos ao nosso grupo.

Estamos ao vosso dispor para aqui publicarmos as vossas reflexões sobre a temática da Formação de Professores.
Para publicar, basta que enviem cópia digitada em words para o e-mail do administrador que, após moderação (principalmente contra plágios) e aprovação, se fará um prazer em veicular as vossas produções.
Para maiores informações visualize o registro do grupo junto ao CNPq através do link:


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domingo, 31 de maio de 2015

158 DEPOIS DA TEMPESTADE...

Amanhã, dia primeiro de junho, terá início mais um evento em História da Educação, que será realizado aqui na nossa instituição. Trata-se do

XIV CONGRESSO DE HISTORIA DA EDUCAÇÃO DO CEARÁ
Histórias de Mulheres: amor, violência e educação

Que todos os participantes, sejam eles palestrantes, debatedores ou de qualquer outra sorte que possamos ser, tenhamos bons momentos de reflexão e um convívio profícuo na área de interesse de cada um e de todos em geral.

Por mais otimista que queiramos ser, lá no horizonte surgem algumas nuvens mais pesadas ameaçando o clima agradável que se deve esperar. Por exemplo: não teremos a presença da maioria de nossos alunos - que estão em período de recesso e, por isso, sem transporte que lhes garanta poderem participar do evento - o que, por si só já pode ser considerado um grande prejuízo para o resultado final; período de recesso também indica que parte significativa dos docentes estará ausente do processo; se somarmos a isso a possibilidade de haver algum tipo de atrito interno, precisamos fazer muita força para levar o barco a bom porto em meio a uma verdadeira tempestade.

Continuo a afirmar que não se ganham guerras sem a colaboração dos generais. Esta afirmação metafórica precisa merecer um pouco mais de atenção por parte de nossas mentes pensantes e organizadoras de eventos de qualquer sorte para que ela tenha algum valor afirmativo. Mas isso já um outro tipo de História!

Vamos ao sucesso, com prudência e com o que nos é possível recuperar depois da passagem do furacão.















sexta-feira, 29 de maio de 2015

157 SOBRE ESCOLA...

Pensando cá com os meus botões a respeito de um  conceito velho e desgastado sobre o qual a maioria da população não reflete nem um segundo, tão ciente que está do mito e ciosa que alguém ocupe um espaço que esse alguém não consegue mais ocupar na educação das novas gerações - a escola.

Estes pensares são preliminares e serão aprofundados ao passar dos dias. Por hora, digamos, trago apenas o enunciado.

Como eu vejo a atual escola:

"A escola, enquanto teoria, precisa ser um ato coletivo, solidário e inequívoco; enquanto prática, a escola precisa proporcionar experiência inovadora, confiável, afeita à realidade, não ao sonho e ser propícia à realização de objetivos capazes de estimular o desejo de mais saberes.

A escola romântica não produz crítica, quando muito pode ser comparada ao cupido que pouco acerta suas flechadas; a escola pesadelo só produz gerações do medo, aterrorizadas e submissas; a escola reflexiva ajuda a construir opiniões soberanas e de coletividade".

Por hoje, só amanhã, lá da terra do "Aracati".












quarta-feira, 27 de maio de 2015

156 DAS MEMÓRIAS

Alguém me pede para escrever minhas memórias. Um momento, longo, de hesitação! Será que eu devo? Tudo porque eu mostrei meu pequeno álbum e fotos pessoais.

Tem de tudo nesse álbum, do aparentemente insignificante às coisas mais significativas na vida de uma pessoa e, até mesmo de uma nação. De inocentes páginas de um viver comum a um nada comum modo de viver. Do passado e do presente, da alegria e da tristeza (até mesmo do bem e do mal).

Continuo refletindo. Estou longe de ser um escritor, muito menos um romancista. Mas tenho uma vida como muitos não tiveram e talvez tivessem vontade de ter.

Vou continuar matutando!

Um dia, quem sabe...





 

terça-feira, 26 de maio de 2015

155 NOVA MARCA

Com pouco menos de um (01) ano de existência já alcancei a marca da 6.000 visualizações para 154 postagens (média de 39 visualizações por postagem). Tá bem melhor do que nunca imaginei. Obrigado a vcs!!!

Vamos continuar, mas não pelas "marcas" a alcançar e sim, muito mais, por algum resultado afirmativo de todo este trabalho em conjunto que temos realizado. No campo da ação já começam a surgir signos de novos pensares, de novas posturas, de novos olhares. Nada de muito concreto, ainda, pois é preciso fazer acontecer para que possa ser registrado como efetivo. O tempo nos dirá se o nosso caminhar está certo ou errado.


Muito obrigado por me acompanharem, meus caminhos não sempre os mais fáceis, mas certamente os mais desafiadores. Quem gostar de desafios... venha se juntar a nós!











segunda-feira, 25 de maio de 2015

154 MÁ NOTÍCIA

Chega-me uma má notícia e vou dividir as preocupações com todos vocês: Esta plataforma (Blogger) vai acabar. Por isso vamos ter que pensar noutra que possa suportar nossos "cantinhos"! Pessoalmente já tenho uma em mente, mas ainda nada de concreto.

Pensem nas vossas alternativas!

Para maiores informações acessem:









)

domingo, 24 de maio de 2015

153 OS PROFESSORES E OS MELÕES



Mais uma vez me surpreendo com a visão clara que o meu amigo José Pacheco tem dos problemas que afligem a educação e, muito mais, da forma como ele tem sempre uma proposta para a solução. Nunca a única solução, a sua solução. Precisamos, como ele nos ensina, aprender a respeitar os outros, os diferentes e as opiniões que eles exteriorizam, mesmo que com elas não concordemos total e plenamente.

Diz-nos ele (2011, p.2)

Aos adeptos do pensamento único (que ainda encontro por aí...) direi ser preciso saber fazer silêncio “escutatório”, fundamento do reconhecimento do outro. Que precisamos rever nossa necessidade de desejar o outro conforme nossa imagem, mas respeitá-lo numa perspectiva não-narcísica, ou seja, aquela que respeita o outro, o não-eu, o diferente de mim, aquela que não quer catequizar ninguém, que defende a liberdade de idéias e crenças, como nos avisaria Freud.

Gosto tanto mais dele, quanto mais ele usa imagens e metáforas para tecer conceitos. Você poderia imaginar-se comparado a um melão? Pois é a um melão que ele compara os professores. Pensemos juntos com ele (2003,p.8)

Os professores são como os melões. Só os conhecendo por dentro se pode avaliar da sua qualidade. Quando nos deixamos conduzir pela aparência, a surpresa pode ser bem desagradável. Quebrado o verniz da casca, uns revelam-se maduros, outros verdes, outros podres...

Quem ousa duvidar desta sapiência? Eu não! Por isso sempre espero que quebrem o verniz e que, aos poucos, vão descobrindo que “lá dentro” eu sou outro, diferente daqueles que vivem polindo sua casca para manterem por fora uma aparência luzidia. Tem mais: Tem diga que sou “casca grossa”.

Por fim, as palavras de Zé Pacheco, como lhe chamo, retratam em tamanho “pôster” o momento que vivencio (afinal somos da mesma idade – tenho apenas mais dois anos que ele) e é com elas que gostaria de passar uma imagem um tanto “borrda” do meu percurso como educador.

Vou sugerir a Zé Pacheco que formemos essa irmandade dos educadores românticos e conspiradores, caso ela ainda não tenha sido formada.

À medida que se aproxima o termo da minha carreira de professor, sinto-me irmanado com os que recusam aprender a geografia dos comboios para viver na era dos aviões e aceitam o desafio de repensar a Escola, tarefa sempre colectiva. Sinto-me ínfima parte de uma fraternidade de românticos e conspiradores, co-autores de uma reforma que se cumpre à revelia da bricolage normativa e das reformas desenhadas por engenheiros (2003, p.8).

Quem sabe, se não obtivemos o pleno sucesso na ativa, enquanto ações isoladas, que o consigamos por pressão conjunta na condição de “hors concours”.

Referências
PACHECO, José. Inclusão não rima com solidão. Curitiba: Ed. Wac, 2011.

______________. Sozinhos na escola. São Paulo: Ed. Didática Suplegraf, 2003.

sábado, 23 de maio de 2015

152 RAINHAS E MONARQUIAS

Quero aqui reproduzir um texto que li num blog ao qual passo a chamar de amigo (papoalemdofato.blogspot.com) e que me despertou demasiado a atenção por traduzir exatamente o meu pensamento a respeito da situação que se criou no país com “insurreição” praticada pela atual oposição ao governo que aí temos.

O que isto tem a ver com a formação docente, ou com a educação de uma forma geral?

Educação é, também, informação. Formação, por ela mesma, já está contida na (in)formação, por esse motivo podemos afirmar que há uma estreita relação entre três campos da ação humana. Não é à toa que se diz que "quem tem a informação, tem o poder". Por isso eu termino meu introito da exata forma que o autor do texto termina:

Em frente...


É UMA QUESTÃO DE ESCOLHA. PREFIRO PENSAR NA SOLUÇÃO.


Não assisto TV, pois em grande parte do que vemos o conteúdo exibido desconstrói valores e não os substitui por algo que a sociedade efetivamente precise.

Não leio boa parte dos jornais de grande circulação, prefiro publicações independentes e investigativas como “Outras Palavras”, “Agência Pública”, Le Monde e congêneres.

Dou o devido valor às publicações que se preocupam em confirmar as fontes antes de repassar uma notícia.

Vivemos a crise da informação.
Vivemos a crise da manipulação.
Nosso povo sofre por falta de cultura e discernimento.
Nos falta determinação e conhecimento.

Independe da origem da informação os assuntos são sempre os mesmos. País em crise, políticos corruptos e tudo mais que puder minguar sua vontade de investir, batalhar e seguir em frente. Tem alguma coisa errada. E parece que ninguém vê.

Nas timelines, a direita torce pela queda da esquerda e parece ficar feliz com os problemas que surgem NO PAÍS EM QUE VIVEM com o objetivo vazio de dizer “eu avisei”.

Já a esquerda festeja a cada político da direita que aparece nos processos de investigação que foram iniciados POR ELES, com o objetivo de comemorar toda a hipocrisia dos argumentos sustentados pelo arautos udenistas.

Mas algo precisa ser percebido...

Enquanto as pessoas reclamam, e torcem umas contra as outras o País vai afundando e ninguém se dá ao trabalho em pensar numa solução, com a patética desculpa de que a responsabilidade é toda da Dilma (apesar de termos 27 governadores, 81 senadores, 513, deputados, 5.565 prefeitos e um pequeno infinito de vereadores).

Devemos primeiramente relembrar que não vivemos numa monarquia e se estamos em crise, esse é um PROBLEMA NOSSO! E não uma questão que a Rainha soberana resolverá com uma decisão solitária e um gesto de mão.

Vamos parar de torcer uns contra os outros e pensar numa forma DIGNA de melhorar nossas condições de vida, de trabalho e de convívio.

Vamos aprender como UTILIZAR e COMO FUNCIONAM os mecanismos sociais que já existem, para que tenhamos autoridade ao elogiar, reclamar e sugerir novas formas de atuação do governo na sociedade. Chega de absorver opinião pronta, chega de repetir pensamentos que não são seus.

Vamos por um fim na crise do pensamento. Você é capaz. Eu também sou. E juntos somos uma GRANDE POTÊNCIA.


Em frente...” 

sexta-feira, 22 de maio de 2015

151 "TÔ ERRADO, TECA?"

Assim, sem querer, dei por mim a ler este artigo publicado pelo PIG, pois o título chama bastante a atenção: "Lento ocaso do magistério".

Mas, lá pelo meio comecei a arrepender-me de ter começado a leitura, pois não sei se é meu modo de ler que está errado, se é o pensamento do autor que não se coaduna muito bem com a realidade dos fatos. Uma coisa é certa: alguma coisa não rodou redondo nesta minha relação com essa pobreza de crítica.

Escrevendo sobre a utilidade/função do magistério/professor, diz Julio Groppa Aquino, professor titular da Faculdade de Educação da USP e autor do textículo:

"Uma possível resposta a tal questão remete-nos a uma segunda equação: a utilidade versus a necessidade social do magistério, hoje. Se, por alguma razão menos inócua do que aquela em voga, considerássemos os professores ainda necessários socialmente, haveríamos de convir que eles não são mais úteis, substituídos que foram por um conjunto de iniciativas cujos efeitos são imediatamente educativos - sem ajuizar, é claro, o valor intrínseco de tal designação". 

Há horas em que me apetece ser grosso e mal criado para poder escrever aqui todos os palavrões e incongruências que vêm à cabeça. Mas ato continuo me vejo a escrever perguntinhas fáceis para esse senhor responder:

1 - O que faz na educação se esse é seu pensar?

2 - Por que não oferece um console a seus filhinhos queridos em vez de os enviar estudar no estrangeiro?

3 - Já reparou que para "ler" as mídias é preciso ter a capacidade de decodificar os signos escritos e DEPOIS, interpretá-los convenientemente?

Veja Sr. Professor Doutor Julio Groppa Aquino, eu também estou apenas fazendo conjecturas. É mais uma "razão menos inócua do que aquela em voga" que pode ser adicionada a essa sua postura.

Confesso que cheguei a pensar ter entendido mal as palavras do nobre professor, mas ele mesmo não me deixou mais dúvidas quando, logo a seguir afirma:

"Se, na direção contrária, ainda atribuíssemos alguma utilidade social à ação dos professores, seríamos igualmente forçados a reconhecer que eles não são mais necessários, já que convertidos em um contingente de reserva meramente assistencialista; logo, facilmente intercambiável por qualquer outro tipo de intervenção profissional".

Não parece, por fim, que tenha errado muito na minha análise. Deixo a vocês a tarefa de me corrigirem (eu aproveito sempre o que vem para me enriquecer) se eu tiver errado.

Muitas vezes a emoção fala mais que a razão!


quinta-feira, 21 de maio de 2015

150 OLHANDO O ENSINO SUPERIOR

Num texto muito a propósito das atuais discussões no seio do ensino superior, António Sampaio da Nóvoa faz um rescaldo das ações que carece desenvolver para transformar a universidade que aí temos.

Vou aproveitar e dar essa receita aos gestores da nossa... tá? 

Vejam só:


As universidades são invenções sociais notáveis para apoiar o trabalho que não tem valor comercial imediato.

As palavras não são culpadas. O problema não está nas palavras, mas sim nas ideologias de “modernização” que olham sobretudo para o “valor económico das universidades”.

Para transformar as universidades, é necessário haver confiança, em nós e nos outros, “dentro” (nas instituições) e “fora” (na sociedade). Sem confiança, a tendência dominante será sempre reproduzir lógicas burocráticas e métricas quantitativas, empurrando a vida académica para um produtivismo tantas vezes sem sentido. Tudo precisa de tempo, colaboração e compromisso, colegialidade e liberdade.

Precisamos de alargar o espectro do nosso trabalho, numa perspectiva muito próxima da que é defendida por Michel Serres:

Dedicados à procura da verdade, nem sempre a atingimos quando a buscamos por análises e equações, por experiências ou evidências formais; por vezes, é preciso recorrer ao ensaio; e quando o ensaio não chega, sigamos pelo conto, se for possível; se a meditação fracassa por que não tentar a narrativa?

Não há um caminho único e, certamente, não podemos esperar que se obtenha um consenso na forma de organizar e de orientar o campo científico em Educação. Mas podemos trabalhar para que a investigação acolha a diversidade e procure a convergência. Não nos podemos fechar no interior de uma “disciplina” única. Precisamos de trabalhar nas fronteiras de vários conhecimentos, de juntar perspectivas diferentes na compreensão dos fenómenos educativos.

Todos sabemos que a Educação está saturada de opiniões e de certezas e, por isso, é tão difícil instaurar e legitimar um conhecimento especializado neste campo. Mas esta dificuldade é, ao mesmo tempo, uma das nossas principais vantagens, pois torna mais fácil uma relação próxima entre a ciência e a sociedade, uma abertura decisiva para as sociedades do século XXI.

Nota: mantive a escrita original.

NÓVOA A. Em busca da Liberdade nas universidades: Para que serve a investigação em Educação? Revista Lusófona de Educação: Lisboa, 2014


Destaco dois parágrafos que me parecem ser a charneira sobre a qual precisamos meditar profundamente, a começar no campo dos Servidores Administrativos até aos temporários dirigentes maiores que, por vezes, tentam enfrentar o mundo como se tudo devesse circular à sua volta.

Aos vossos comentários/críticas!















segunda-feira, 18 de maio de 2015

149 AMANHÃ SERÁ UM NOVO DIA

A partir de amanhã, dia 19/05/15, novas postagens sobre meus autores preferidos para discutir a formação docente. Já podem ir marcando os vossos lugares!

Novos materiais chegando e pedindo para serem analisados. Estarei a postos!

Conto com a vossa audiência!













domingo, 17 de maio de 2015

148 SAIU O SEGUNDO EXEMPLAR

Pronto!
O segundo exemplar do livro que estava em sorteio - por indicação de minha sobrinha, lá de Portugal - vai para o Nº 4 que corresponde ao post de Marta Brito​.

Basta acreditar para ganhar.
Marta, fico ao teu dispor para te fazer a entrega. Marca o dia e a hora, lá na URCA, para que isso aconteça!


Aos outros resta-me dizer-lhe que insistam... outras promoções estão por vir. Só precisam acreditar e participar!

sábado, 16 de maio de 2015

147 RESULTADO DO SORTEIO DO LIVRO

Feito o Sorteio do Livro... (vejam na minha linha do tempo, no grupo de mesmo nome do Blog), a grande vencedora foi a aluna Evecris Keylla, pois foi a comentarista de nº 6 que foi a indicada pelo meu amigo português Rui Carrola, há alguns instantes atrás.

Segunda feira farei a entrega oficial do prêmio.

Para que não digam que eu sou "malvado" vou tentar contato com meu amigo francês e ele me dará a indicação para distribuir um segundo exemplar, do livro, que acabo de ganhar.

Só lamento por quem ficou na vontade de participar!

Acompanhem o sorteio.... só quando ele me fizer a indicação! direi a quem vou entregar o segundo exemplar!

 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

146 A TODA AÇÃO CORRESPONDE UMA REAÇÃO...

"Aquele que não tem a coragem de se revoltar, não tem o direito de se lamentar" (CHE).

Já parou parou para pensar seriamente nisso?

quarta-feira, 13 de maio de 2015

145 OS PROFESSORES E SUA FORMAÇÃO NO BRASIL



Os professores, sucessores legítimos da igreja no processo educacional – relembremos os 210 anos de “domínio” jesuítico no setor – “são a voz dos novos dispositivos de escolarização e, por isso, o Estado não hesitou em criar as condições para a sua profissionalização” (NÓVOA, 1991, p.2). Neste momento falamos ainda do Estado português, principalmente através do despotismo de Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal. Esta realidade acontece no apagar do século XVIII quando o Marquês envia ao Brasil os primeiros professores régios.

O século XIX viria a mostrar-se como um espaço de consolidação da prática docente que se situava entre o sacerdócio e a obediência servil do funcionalismo público. Acredito que esta situação de falta de uma identidade profissional – que ainda hoje não está plenamente definida – possa ter contribuído para aquilo a que Nóvoa vai chamar de “entre-dois” ao caracterizar os professores da seguinte maneira: “não devem saber de mais, nem de menos; não se devem misturar com o povo, nem com a burguesia; não devem ser pobres, nem ricos; não são (bem) funcionários públicos, nem profissionais liberais; etc.” (NÓVOA, 1991, p.2). Reconheçamos que se trata de uma herança pesada da qual ainda não conseguimos nos ver livres.

Esse tipo de pessoa não se encontra “pronta” na sociedade e por esse motivo o Estado compromete-se em dar formação para aquelas pessoas que resolvem abraçar o magistério. Na visão de Nóvoa (1991, p. 3) essa foi uma das ações de destaque da monarquia lusitana:

Mas, quando foi preciso lançar as bases do sistema educativo actual[i], a formação de professores passou a ocupar um lugar de primeiro plano: desde meados do século XIX que o ensino normal constitui um dos lugares privilegiados de configuração da profissão docente. Em torno da produção de um saber socialmente legitimado sobre as questões do ensino e da delimitação de um poder regulador sobre o professorado confrontam-se visões distintas da profissão docente nas décadas de viragem do século XIX para o século XX.

 O ensino normal – modelo de educação encarregado de oferecer a formação aos novos docentes – legitima o saber construído socialmente ao mesmo tempo em que, através de ideologia repassada durante a formação exerce um controle sobre o futuro profissional, muito embora precisemos reconhecer que ele contribui para a construção de uma prática reflexiva sobre a própria prática o que induzia o professor a tornar-se produtor de novos saberes através de uma relação saber-fazer.

A missão desse novo profissional era aquela de formar o novo homem necessário ao desenvolvimento social que o Estado desejava e por isso, esse mesmo Estado, precisava ter o controle impedindo que os novos conhecimentos pudessem transformar o homem em algum tipo de ameaça à soberania. A chegada da República faz aumentar esse controle e, pouco a pouco, o professorado vai perdendo a pouca autonomia que detinha. Mas o gérmen da liberdade de pensar e agir já estava plantado. A luta entre Estado e professores estava apenas nascendo.

É significativo escutar as palavras de um pensador português, Eusébio Tamagnini citado por Nóvoa (1991, p. 4) para percebermos os primeiros “confrontos” entre as partes envolvidas. A citação é um pouco longa, mas necessária para a compreensão dos argumentos sobre o currículo e a ação docente:

Ora, se o currículo deve indiscutivelmente considerar-se da competência do Estado, o mesmo se não pode afirmar dos programas dos cursos que devem constituir atribuição exclusiva dos corpos docentes. O Estado organiza o plano geral dos estudos, formula os objectivos a realizar mas aos professores e só a eles compete a organização dos programas dos cursos, isto é, a selecção das matérias, a concretização dos exemplos e a escolha dos métodos e processos adequados à realização dos fins que se tem em vista" (Eusébio Tamagnini, 1930, p. 94).

A partir destes embates e da discussão de variados projetos de ação do professorado nasce a formação docente que, para Nóvoa (1991, p. 4) “[...] é o momento-chave da socialização e da configuração profissional”. Logicamente, ao final de cada embate surge um vitorioso que, quase invariavelmente e ao longo dos tempos históricos é o Estado que passa a impor regras e a ditar medidas radicais para o setor. Mas o Estado precisa do professor e, nesse sentido inicia uma ação aparentemente contraditória que tem por objetivo a profissão e profissional. De um lado desvaloriza a profissão docente, mas concomitantemente busca dignificar a posição social do professor. Vale relembrar que no Brasil, foi preciso criar um imposto para que com a arrecadação se pagasse o salário do senhor professor.

Na atualidade, para discutirmos essa formação docente, ainda não temos, a não ser cada qual sua opinião, uma avaliação formal da XV SEMAPE, mas na nossa individualidade precisamos compreender que só um conjunto aberto de posições poderá ser capaz de resolver os maiores impasses que ela vem enfrentando.

Colocando essa formação no seu devido lugar, a academia ou universidade, como queiram chamar-lhe, a reforma num processo em desenvolvimento implica sérias consequências no plano estrutural geral dessa academia. Não se trata de ação que possa ser desenvolvida de uma só investida. Há que ir alterando, através de um processo de miscigenação de ideias, até que ao final de um determinado tempo se possa fechar um circulo capaz de dar conta das mais rápidas modernizações que acontecem de forma estonteante. Nunca estaremos, portanto, em plena sintonia com a produção do saber socialmente criado para atender a demanda da população.

É preciso coragem de arriscar, ou estaremos em permanente ato de reprodução de lógicas atrasadas, produtivistas que em boa parte do tempo pouco mais passam a ser que um “non sense” de algo que deveria ser a vanguarda da ciência. Este estágio vanguardista só se consegue com dedicação, no tempo e no espaço determinado, partindo de um ajuste colaborativo que envolva, entre outras coisas: pesquisa, compromisso, coleguismo e liberdade de escolha do que fazer em prol da comunidade em que se está atuando.

Na sua sábia prudência, Nóvoa (2014) nos diz que, para isso:

Não há um caminho único e, certamente, não podemos esperar que se obtenha um consenso na forma de organizar e de orientar o campo científico em Educação. Mas podemos trabalhar para que a investigação acolha a diversidade e procure a convergência. Não nos podemos fechar no interior de uma “disciplina” única. Precisamos de trabalhar nas fronteiras de vários conhecimentos, de juntar perspectivas diferentes na compreensão dos fenómenos educativos.

No nosso debate poucas perspectivas foram apontadas, deixando muito em suspenso a possibilidade de se processar uma transformação significativa que altere o “modus operandi” que aí está. Continuam a existir os incomodados com a situação, mas não se pode, de modo algum, deixar de considerar a maior parte dos acomodados que, pelo menos aparentemente, defendem o “quanto pior melhor” ou o “deixa para lá que na escola eles aprendem”.

Na condição de inquietado com a situação fico como se marchasse descalço sobre brasas para saber qual vai ser o desfecho de tanto “parlatório”. Concordo com Rubens Alves quando ele diz que precisamos fazer curso de “escutatória” e acrescento que se não houver uma ação produtora de transformações, subsequente, de nada adiantará "escutatória" e "parlatória"... pois aí só o discurso vingará.

Referências:

NÓVOA A. Em busca da Liberdade nas universidades: Para que serve a investigação em Educação? Revista Lusófona de Educação: Lisboa, 2014

NÓVOA, A. Formação de professores e profissão docente – 1º Congresso Nacional da Formação Contínua de Professores (Formação Contínua de Professores: Realidades e Perspectivas. Aveiro: Universidade de Aveiro, 1991).

TAMAGNINI, Eusébio. Programas taxativos e Diário do aluno. Arquivo Pedagógico, IV (1-4), 1930, pp. 93-100.





[i] Mantivemos em todas as citações a escrita na língua original de Portugal.