Aos interessados

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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

255 É ERRADO SEGUIR A LEI

A propósito do vídeo veiculado pelo site "Faca na Caveira" em que é mostrada uma criança de sete anos quebrando toda uma sala na escola e a atitude dos funcionários em não tocar sequer nessa criança vêm os ESPECIALISTAS (ai que ódio que eu tenho desse termo!) dar a sua contribuição e há uma resposta que precisa ser analisada. No mesmo site está esclarecido o seguinte:

A Secretaria Municipal de Educação de Macaé afastou a direção geral da escola até a apuração dos fatos e ordenou que um inquérito seja aberto. A prefeitura de Macaé, no Rio de Janeiro, publicou no perfil das redes sociais um esclarecimento sobre o ocorrido.

Mas o que me chama mais a atenção são as palavras dos já citados especialistas: 

Especialistas afirmaram que intencionalmente ou não, as imagens nunca poderiam ter ido parar na internet e que, era obrigação deles impedir a atitude do garoto de alguma forma.

Qual o problema em veicular a realidade que se abate sobre as nossas unidades educacionais espalhadas por esta Pátria Educadora?

Teriam agido de forma errada os funcionários da escola?

Para a primeira pergunta não vejo, pessoalmente, problema algum, pelo contrário, só sabendo o que está acontecendo poderemos ir pensando em possíveis soluções.

Sobre a segunda... a coisa complica. Vejamos! A Lei não permite que se toque em criança (o ECA está aí para reprimir qualquer tentativa de repreender a criança que está sendo avaliada no vídeo); a lei da palmada impede que a própria família tome medidas, digamos, um pouco mais enérgicas para tentar sanar uma situação que se mostra, convenhamos, extrema; mas os ESPECIALISTAS (que calados são uns poetas) vêm dizer que os funcionários tinham que "impedir a atitude do garoto de alguma forma.". Muito fácil essa proposição e o "de alguma forma", mesmo não tendo os funcionários tomado "alguma" forma que fosse contrária à legislação, não impediu que este tenham sido apenados e "A Secretaria Municipal de Educação de Macaé afastou a direção geral da escola até a apuração dos fatos e ordenou que um inquérito seja aberto". Só falta, agora, que os funcionários sejam obrigados a pagar os prejuízos causados pelo desamor, pela impunidade, pela incompetência de quem legisla nesta famosa pátria que começa a fazer água por todos os lados. 

A Educação e os cidadãos merecem respeito! 

Resumo da ópera:

Se você seguir a lei, está errado!









quinta-feira, 29 de outubro de 2015

254 NADA É TÃO RUIM...

... Que não possa piorar!

Pois é! Falei agora pouco das armadilhas que estão preparando para a Educação Brasileira. O caldo, contudo, já está entornado!

Percebam a gentileza e a amabilidade com que os professores, que se colocam contra essas pantominisses,  são tratados.

As imagens estão bem aqui 

















253 DA PEDAGOGIA E DAS LICENCIATURAS

Vez por outra algumas notícias que para muitos devem parecer ruins, vêm me alegrar o dia, pois acabo percebendo que, mesmo entre desânimos e tendências ao abandono da luta através do jogar da toalha, ainda continuo no caminho certo. Estarei mais certo que outras pessoas? A resposta é não! Sabem por quê? Pelo simples fato de que nem todos conseguem ver a mesma imagem a partir do mesmo ângulo. O meu é, acima de tudo, progressista, mesmo se nada traz de revolucionário. Não é preciso fazer "outra guerra" para as batalhas serem diferentes.

Todo mundo que aqui tem passado sabe da minha luta pela transformação do curso de Pedagogia que aí temos. Todos sabem que defendo um Curso de Formação de Professores e outro de Pedagogia. Um formará docentes, outra formará cientistas da educação. Mas as cabeças "privilegiadas" que compõem o colegiado do curso resistem à ideia como se de alguma heresia se tratasse.

Aí como eu costumo dizer: "Quando nos tornamos incapazes de fazer a diferença, alguém vem e faz por nós, nivelando na base da imposição".

A este respeito vejam o que nos é colocado na mesa, sobre o pano verde onde as cartas são jogadas:

MEC quer mudar licenciatura e estuda residência para professores


Estadão
29/10/2015 10h55

Após lançar a proposta de base curricular comum para o ensino básico, o Ministério da Educação (MEC) já discute o documento que norteará os currículos de todos os cursos de licenciatura e de Pedagogia do País. Esse texto deve ir a consulta pública até o fim do ano que vem. A pasta também retoma a discussão sobre criar uma residência para os professores, nos moldes do que existe na área médica.
Um dos principais objetivos é tornar os programas das graduações mais próximos da realidade de sala de aula. "Muitos cursos são mais voltados à formação científica do que à formação docente", disse à reportagem o secretário de Educação Básica do MEC, Manuel Palácios.
Na proposta de currículo do ensino básico, ainda em consulta pública, a opção do MEC foi de apresentar só objetivos de aprendizagem, e não como ensinar. No novo documento, haverá indicações sobre métodos.
"O diagnóstico é de que o espaço para questões didáticas é pequeno na formação de professores", explicou Palácios. "E mais importante do que selecionar um ou outro método, é que aqueles reconhecidos como válidos em cada área sejam objeto de discussão nos cursos."
No próximo mês, uma comissão de especialistas deve divulgar um roteiro de trabalho para o debate. Ao longo de 2016, universidades e organizações do setor também poderão contribuir. O processo começa agora, mas deve ganhar força no segundo semestre do ano que vem, quando o currículo do ensino básico estará pronto.
"O formato final deve atender às expectativas geradas pela base (curricular do ensino básico)", disse Palácios. A má qualidade na formação docente é considerada entrave para a adoção prática do currículo único.
Bernadete Gatti, especialista em formação docente, foi convidada para coordenar o grupo. Segundo ela, servirão de ponto de partida as diretrizes do Conselho Nacional de Educação, de julho, que elevam o conteúdo prático e a carga horária das licenciaturas. "Com isso, não dá mais para condensar, compactar (os cursos), como vem sendo feito", afirma.
Para cada disciplina, o documento do MEC terá uma seção separada. Também haverá sugestões para as licenciaturas interdisciplinares. Ao fim do debate, o documento deve tornar-se uma resolução. Com a reforma, a expectativa é reduzir a evasão em carreiras como Matemática e Física, maiores que 60%.
Helena Freitas, da Associação Nacional pela Formação dos Profissionais de Educação, defende participação mais ampla no processo. Outro problema é a baixa atratividade da carreira. "Investimos na formação de jovens que depois não vão para a escola pública", critica.
Residência
A criação de uma residência docente também está na agenda do ministério. Proposta semelhante já tramita no Congresso desde 2012.
A ideia, segundo Palácios, é o governo federal dar bolsas para recém-formados trabalharem por um ou dois anos nas redes municipais e estaduais. Assim, o professor chegaria "com experiência de ensino mais expressiva".
O modelo já é adotado por algumas universidades em parceria com as redes. "Esse candidato a professor teria condições de trabalhar na escola e, ao mesmo tempo, ter um suporte universitário", diz. A reforma curricular das licenciaturas e o reforço de estratégias de formação à docência estão previstos no Plano Nacional de Educação. Já a antiga a ideia do MEC de instituir uma prova nacional docente, que serviria para ingresso na carreira em todo o País, não está na pauta no momento, segundo o secretário. 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
 

Bem... resta vocês fazerem vossa apreciação! Eu continuo a defender a minha tese!









252 ATRÁS DO POBRE CORRE UM BICHO

Decididamente, os heróis do povo só podem ser os professores. E não é pelo fato de eu pertencer à classe, não é!

Como diz a sapiência popular, através dos ditados: "atrás do pobre corre um bicho", exagerando podemos até dizer que são vários bichos e destes, na sua esmagadora maioria, são bichos políticos. Vejamos:

- Enquanto muitos de nós nos desmanchamos e vários para tentar dar conta da melhor forma possível da nossa missão de educar as novas gerações; enquanto discutimos e estudamos as melhores formas de criar novos e responsáveis cidadãos; enquanto vamos além do reconhecimento que nos é negado; enquanto nos tiram o tempo necessário para pensar estratégias e metodologias de ensino; tem gente (será que eu posso chamar assim ou seria melhor usar o termo BICHO do provérbio?) magicando, tripudiando e atentando contra tudo e todos que se dedicam a desenvolver esse processo que lhes é altamente prejudicial, chamado de educação.

Definitivamente, a classe política ODEIA a EDUCAÇÃO capaz de lhe barrar o caminho da roubalheira, do desmando e da vida de mordomias a que está habituada. Um exemplo disso nos chega de Goiáis, onde o prefeito deu início ao processo de privatização da educação que até então era pública .

Por outro lado, na Câmara Alta, os deputados tramitam e pretendem aprovar PLs (Projetos de Lei) que atacam frontalmente a docência, a criminalizam enquanto amarram a instituição escolar as quesitos religiosos e, sobretudo, políticos. Querem eles, com isso, minar todos os esforços que alguém possa realizar visando o aumento não só da educação como e principalmente da qualidade da mesma. São leis que já começaram a ser a provadas. Veja mais a este respeito AQUI.

Enquanto nos debatemos com "pequenos problemas" desta natureza, as nossas autoridades "competentíssimas" não acordam para esta realidade e teimam em manter de pé um ECA que, com o tempo, se transformou numa máquina de fazer bandido. Não se pode triscar em criança, por mais que ela tenha atitudes como estas ou piores (como sabemos que acontecem).

Então minhas amigas e meus amigos, vistam vossa bela fantasia de SUPER HERÓIS e vamos ao combate a esta ameaça que promete nos tirar direitos (ainda resta algum?) e principalmente a tranquilidade. Basta que se diga que se a educação for privatizada acaba-se a tranquilidade da garantia do emprego, pois estaremos concorrendo num mercado bastante competitivo, no qual só o kapital quer ganhar!

Vamos à luta?!
 















quarta-feira, 28 de outubro de 2015

251 A DIFÍCIL TAREFA DE SER E FAZER O DIFERENTE

O simples conceito de diferente assusta muita gente e, principalmente, quando esse diferente sugere uma mudança que não é apenas "nos outros", mas tem que ser, também, "em mim" e que, após, vai passar a fazer parte do "nós". Quero com isto dizer, falando de uma forma mais direta e objetiva que, não é fácil empreender uma atividade que se oponha ao determinado pela acomodação e, mais precisamente, pela dominação exercida por quem tem o poder de decidir aquilo que você deve ou não fazer. É nesse confronto de ideais que surgem os descontentamentos, as revoltas.

Quando, numa sociedade, os interesses de uma minoria se sobrepõem àquelas da maioria, fica muito difícil sair do laço apertado com que as ideologias nos cerceiam. Acontece, infelizmente, na nossa atual sociedade, que entre essas duas realidades sociais (maioria-minoria) existe um corpo social intermediário que poderia fazer a diferença caso não fosse alienado. E o pior de tudo é que se trata de uma alienação de si mesmo: o seu umbigo primeiro; está bem... o resto que busque suas melhoras; e o todo abrilhantado por um discurso que não convence mais ninguém e que, entre outras coisas, colabora para o descrédito daqueles que realmente um dia acreditaram na possibilidade de um mundo diferente desta agonia que estamos vivenciando. 

Um dos exemplos mais flagrantes que se pode ter desta triste realidade está aqui, ao nosso lado, não precisamos buscar muito nem muito longe - veja seu(a) amigo(a) que assumiu algum posto trabalho em que lhe é dado mais um pouco de responsabilidade (não chego ao extrema de dizer poder, pois esse, a pessoa em questão, assume-o automaticamente mesmo sem ninguém lhe passar o controle).

Por outro lado, podemos elencar uma série de sentimentos prejudiciais ao desenvolvimento do ser e do fazer diferente; dentre eles podemos destacar: o ciúme, a inveja e uma repulsa provocada pela incapacidade de fazer o mesmo. Há além disto, outro sentimento que contabilizo como um dos mais cruéis: a falsidade. Quantas vezes, para ganhar "miminho", não se faz uma birra que todo mundo está cansado de perceber que não é justificável ou, o que é pior, que está sendo praticada para alcançar algum objetivo que não se quer declarar. A minha idade e experiência já não me permitem ser enganado e acreditar piamente na "verdade" que querem vender. Finjo, muitas vezes acreditar só para ver até onde pode chegar a hipocrisia humana (vai longe, podem acreditar!).

Ao longe percebo um bando de andorinhas, mas a primavera não chega até onde estou. Queria poder oferecer um céu azul a quem me visita, mas as nuvens pesadas teimam em pairar sobre o meu espaço, apena e simplesmente por que não gosto das mesmas flores. Aprendi a lidar com com os espinhos, com os raios e os trovões. E sei que um dia o meu sol ainda brilhará, mesmo que seja já no ocaso, no poente, mas terei nisso uma vantagem e um aprendizado: a vantagem das temperaturas mais amenas; o aprendizado é que mais vale tarde que nunca e que o que é nosso ninguém toma.

Dos meus projetos, das minhas vontades de ser e fazer ninguém me arreda. Não sou fácil de "dar a volta" e tenho aquilo que para mim é uma vantagem: sou direto e objetivo (grosso, como muitos preferem chamar-me por não aguentarem a visão que tenho da maneira como se comportam quando o assunto é discutir o bem-estar social dos menos favorecidos). Voltando à metáfora do tempo, digo: não há tempestade que sempre dure e um dia meu bote navegará!
 
       Foto refirada da Net

terça-feira, 20 de outubro de 2015

250 CRUZANDO OS BRAÇOS

Está decidido, a partir deste momento cruzo meus braços para qualquer "projeto coletivo". Não contem mais comigo para a construção desse tipo de projetos. Tenho consciência que contrario meus "maîtres à penser", mas não há quem resista a uma oposição que não é apenas cega, como é, também e principalmente, extremamente individualista ou, talvez, feudal. Aprendi um dia que "em terra de sapos, de cócoras com eles"! Ponderei na práxis... o resultado surge.

Diante desta decisão devo anunciar que mantenho meus projetos pessoais. Não são muitos, neste momento da minha vida, mas são meus e deles não desisto com facilidade. Lamento, sincera e honestamente, a hipocrisia do mundo em que sou obrigado a terminar meus dias de vida, principalmente depois de ter aprendido que um fio do bigode valia tanto quanto uma assinatura registrada e reconhecida em cartório notarial. Só consigo pensar o seguinte: É triste perceber que a sociedade do conhecimento se tenha tornado na sociedade da indiferença e do "salve-se quem puder". A que ponto chegamos... pior, onde terei, ainda, que chegar?!!

Não sei se resistirei à pressão interna, aquela promovida pelo superego (será que conseguem entender o alcance e a profundidade desta decisão), para me adequar ao novo modelo de ser e estar neste "mundo do faz de conta" no qual jamais providenciei cadeira cativa como parece que tenham feito muitos de "meus amigos".

Entristece-me ter que aceitar uma derrota imposta pela pior das práticas sociais: a indiferença do meu semelhante. Reconheço, com humildade, a derrota que sofri e jogo a toalha! Neste gesto, simbólico do jogar da toalha há, contudo, uma ameaça que permanece: a minha posição passa a ter peso dois. Estarei sempre, senão na oposição, no campo dos indiferentes. E isso pode ser perigoso para as pretensões de algumas pessoas. Não estou (longe de mim tal prática!!!!) ameaçando quem quer que seja, deixo, tão simplesmente no ar um alerta para os estragos que podem acontecer a partir de determinadas posições que eu possa vir a assumir.


Nunca fui de suplicar, não suplico e jamais suplicarei para que alguém me acompanhe. Aprendi com meu Mestre Maior qual o caminho a trilhar. Disse-me ele um dia, diante da minha perplexidade: "Meu filho, sê tu mesmo, pois ninguém, jamais, será por ti". Tarde, acabo de compreender toda a razão que essa frase comporta. Quiçá ainda esteja em tempo de arrepiar parte do longo caminho já percorrido e mudar a orientação das velas e do leme. Obrigado PAI, Hoje reconheço toda a importância das tuas sábias palavras vindas do teu analfabetismo que era mais carregado de conhecimentos que este meu doutorado. Que sejas regiamente recompensado aí, onde estiveres, já que aqui nem sempre soubemos valorizar tua sábia experiência.

Considerando esta decisão, fico no aguardo de voluntários que queiram somar suas vozes à minha, numa tentativa 100% individualista de dar continuidade aos projetos que estavam começando a ser gestados em conjunto. Independentemente quero afirmar a minha férrea vontade de continuar a desenvolver aquilo em que acredito, por mais que seja o único a acreditar. Não vendo minha consciência aos interesses de ninguém, por não importa qual preço.

Ainda em tempo: quero agradecer, publicamente penhorado, a força e principalmente a amizade daqueles que até ontem me acompanharam, vocês são dignos da minha maior admiração e respeito. sempre carregarei vocês no meu coração para onde que eu for e como for.  

 

 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

249 NÃO ESQUECEMOS VOCÊS

De modo quase inusitado parece ter-se feito um silêncio em torno daquilo que iniciamos com tanto ardor, carinho e vontade de acertar. Não é voluntário e, sequer grátis: a vida tem destas contingências!

Não querendo justificar, mas já apresentando motivos e razões para um afastamento temporário que se vem registrando, elenco alguns motivos:

- A proximidade do fim do nosso semestre letivo com tudo que isso acarreta;
- A coincidência de feriados com as datas que tínhamos destinado para as nossas visitas/reuniões;
- O acúmulo de trabalho ante a discussão das novas Diretrizes para as Licenciaturas - que está em curso aqui na universidade e na qual tenho participação ativa e obrigatória; 
- A participação de alguns de nossos membros atuantes em eventos acadêmicos;
- A preocupação em preparar um material que possa ser significativo na aprendizagem dos alunos;
- Um ou outro pequeno problema pessoal com algum dos membros do GE, e temos aí um pequeno coquetel quase explosivo, para o qual só faltava a espoleta - disse bem, faltava - não falta mais, pois acaba de ser colocada e pode, portanto haver uma explosão a qualquer momento. Trata-se de assuntos internos à nossa instituição que julgo por bem não expor, assim, de público, mas que num particular poderei explicar com a maior tranquilidade e com a maior clareza para que não haja dúvidas.
 
Temos, na medida do possível, trabalhado naquilo que nos propusemos para dar continuidade a uma proposta que queremos desenvolver nessa parceria; apenas, e para nossa tristeza, fatores externos à nossa vontade têm impedido que essa ação se torne mais efetiva e constante. De minha parte não haveria nenhum processo de descontinuidade, mas independe do meu único querer. No resumo da ópera, é possível afirmar que somos, todos, vítimas de um sistema falido de gerenciamento de algo que deveria ser tratado como "pedra de toque" na sociedade que vivenciamos: não há interesse que a senzala aprenda a ler. Ela se tornará perigosa caso isso venha a acontecer.

Não sou, contudo, fácil de desestimular quando visto uma camisa que sei é representativa do meu desejo. Confesso que aqui e ali chega a bater um desânimo, uma vontade de "deixar cair" para ver se quebra, mas logo o outro lado me aperta a orelha dizendo ao meu subconsciente: "E aí, foi para isso que lutastes uma vida inteira"? E reajo. Sacudo a poeira, tiro a pedra do sapato e, mesmo entre algumas escoriações que sempre acabam acontecendo, prossigo o meu caminho, quantas vezes solitário... mas vou, aos trancos e barrancos, lutando contra tudo e contra todos, mas vou. Chego dolorido, abatido, cansado, mas jamais me dando por vencido. Afinal ainda me resta um pouquinho da vontade de me indignar diante da posições que são, a meu modesto entender, verdadeiras aberrações neste nosso ambiente profissional. Somos vítimas, mais uma vez, de um sistema de exclusão praticado por sujeitos empoderados de forma temporária que se imaginam perpetuados no poder.

Mas deixemos a minha revolta de lado, pois, se bem que justificável, não irá resolver a situação que está aparentemente surgindo. Por isso este desabafo tem destinatário e endereço certos: Escola Júlio Joel, vocês não foram esquecidos. Nos perdoem pela prolongada ausência, quase um abandono, mas existem fortes motivos que justificam este nosso afastamento. Queremos continuar merecendo a vossa amizade e apoio naquilo a que demos início e pretendemos trabalhar... por favor, nos coloquem em vossos planos futuros imediatos.      



















segunda-feira, 12 de outubro de 2015

248 QUE FUTURO?

Não é que eu não esteja feliz, trata-se, antes, de uma revolta pessoal contra um sistema que me agride, que lhe agride,  que nos usa mostrando o mais desavergonhado dos sorrisos ao perceber que nos manipula e faz de nós o instrumento mais valioso de seus desígnios - a servidão.

A servidão vem, também, de uma prática muito corrente entre nós, que nasce na vaidade e se acaba na alienação - o consumismo. Esse mesmo vilão que, queiramos ou não, está destruindo laços que em tempos outros, lá no passado que já vai ficando distante, eram bastante apertados - os familiares.

Via consumo satisfazem-se desejos novos que são contraproducentes ao relacionamento que vai além do social para atingir, de forma contundente, a família. O responsável pela ordem financeira da casa não hesita em se endividar para satisfazer a vontade da criança que, influenciada pelo meio em que se movimenta, pede o seu presente do dia da criança - este que algumas pessoas festejam hoje.

Enquanto a criança é satisfeita, a família encontra um "tempo livre", no qual não precisa preocupar-se com esse ser em formação e com isso vai criando gosto pela "independência" alcançada com um simples presente, sem olhar nos olhos brilhantes do dragão que lhe devora a cada atitude de consumo. O preço da liberdade é alto.
 
Mas refiro-me aqui a uma classe capitalizada, ou não, mas que abusa do dinheiro de plástico. É uma classe relativamente pequena face àquela outra, despossuída, que pouco mais que a sua vida miserável tem para viver. Esta, vive num eterno dilema - "como será meu amanhã"? Mas a força do hábito a faz continuar lutando, qual João Teimoso, na expectativa de uns dias melhores que teimam em não chegar.

Estes últimos dias tenho visto muita mensagem bonita em alusão ao Dia da Criança - ou será a mais um dia do capitalismo? - mas nenhuma me chamou tanto a atenção como esta que mostro aí a seguir, mesmo sabendo que já é antiga. Ela me faz parar para pensar no quanto deve ser difícil não ter uma perspectiva de vida outra que aquela de viver mal o dia a dia e sequer poder projetar para o dia seguinte alguma ação que venha elevar (por pouco que seja) a autoestima desses pequenos serem que, na forma da lei, têm o direito a ser felizes, vivendo um vida minimamente digna.

Paro para pensar em quantas crianças não estão, neste exato momento, morrendo de fome, de sede, ou vítimas de guerras que sequer sabem o que seja. Resta-me acreditar que ações como aquela proposta pelo governo francês (que deveria multiplicar-se e estender-se a todos os países) que obriga a que todo o alimento que não seja comercializado tenha como destinação, gratuita, as famílias carentes. Esta é uma fórmula de minimizar a fome no mundo. Não se acabará com ela, certamente, mas dá-se-lhe um tremendo golpe.

Já o afirmei e vou continuar firme em meu propósito: enquanto houver crianças morrendo de fome ou afogadas na quebra da onda do mar, não festejarei este dia do consumismo.

Que os homens se compadeçam das nossas crianças e não dos resultados baixos do comércio.

Foto retirada da Internet - desconheço autoria -, mas os créditos serão imediatamente consignados caso o autor os reivindique.  

domingo, 11 de outubro de 2015

247 ORAÇÃO PESSOAL

Amanhã, 12/10, trarei reflexões sobre os que estou vendo escrito hoje. 

Quanta falta de humanismo!

Muitos precisam reescreve o "Pai Nosso"!

É só uma questão de pessoa verbal na conjugação da oração... é coisa simples de resolver, principalmente se for em favor deles.

Até amanhã!

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

246 BICHO DE SETE CABEÇAS

Hoje quero começar uma reflexão com um som maravilhoso cujo título dará nome a esta postagem: "Bicho de sete cabeças" na interpretação de Zeca Baleiro.


Destaco a segunda parte desta obra da música brasileira, malgrado a sua simplicidade:

Não tem dó no peito 
Não tem jeito 
Não tem coração que esqueça 
Não tem ninguém que mereça 
Não tem pé não tem cabeça 
Não dá pé não é direito 
Não foi nada eu não fiz nada disso 
E você fez um bicho de sete cabeças 

A música, que é assinada por Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho, dispensa comentários. Perfeita a interpretação de Zeca Baleiro.
A parte da letra destacada pode muito bem ser cantada aos políticos brasileiros que estão, infelizmente, encarregados de comandar a nossa educação. Eles complicam uma ato natural (o aprender) porque isso convém aos seus interesses mais espúrios: redigem leis que mais parecem destinadas a presidiários perigosos que necessitam de "corretivo" que os inclua novamente na sociedade do consumo e do individualismo; nivelam a sociedade por baixo, deixando para alguns "iluminados capitalistas" a possibilidade de acesso a um conhecimento mais elevado; estipulam salários e condições de trabalho denegridoras para professores a quem não preparam, para que não tenham a possibilidade de compreender melhor as condições que lhe impõem; elevam a quantia destinada à educação apenas para terem mais de onde tirarem, a seu bel-prazer, recursos para fins muitas vezes não justificados e até mesmo menos dignos de pessoas políticas empossadas para cuidar do bem alheio.

Por isso, quantas mais cabeças tiver o bicho, mais complexo se torna e mais difícil fica ao pobre mortal de desenliçar esse tipo de nó bem mais complicado que o nó górdio! A nós, que conseguimos perceber uma ou outra cabeça desse monstro que segundo a letra da canção tem sete, resta-nos a luta, uma luta quantas vezes inglória considerando que ainda ficam seis cabeças para nos devorarem, sem contar com as que, voluntária ou involuntariamente, alguns de nossos "soldados" emprestam ao bicho, na expectativa de conseguirem algumas sobras de migalhas dos lautos repastos do dragão, ou nem isso.

São Jorge, empresta-me o dragão!

  

sábado, 3 de outubro de 2015

245 SOBRE A EDUCAÇAO QUE MACHUCA (3)

Muitos são os fatores que produzem o "machucar" em educação. Poderíamos fazer aqui uma relação bastante extensa desses fatores, mas como não vamos falar de todos a um só instante, damos preferência ao enunciado de mais um que, pouco a pouco irá compondo essa listagem.

Li em algum lugar que entre os fatores que mais machucam estão os "familiares tóxicos": pai, mãe, avós... voltarei a isso mais tarde, pois acredito que bem mais que eles, outros atores produzem mais machucados que a família (vale dizer que não redimindo esta de tal fato).

Por exemplo, Quando me detenho a ler um pouco meu amigo José Pacheco, fico sempre a me questionar sobre uma porção enorme de fatos que ele me apresenta e que, certamente, causam grandes feridas na população em idade escolar. Uma das últimas afirmações que ele faz e que me deixaram reflexivo foi esta que lhes trago aqui:

"O maior absurdo é que a educação do Brasil não precisa de recursos para melhorar. O Brasil tem tudo o que precisa, tem todos os recursos e os desperdiça".

Juro-lhes que tinha plena consciência que este era um dos fatores que precisavam ser discutidos, mas que jamais o havia examinado pelo lado da "educação que machuca". Hoje, ao "dialogar" de um modo até descontraído com o meu amigo, senti necessidade de para para pensar neste específico.

Alguém poderá dizer (talvez até com uma certa dose de razão!): "Pina está pirando", mas acompanhem o meu raciocínio a respeito da afirmação de Pacheco: Começando pela segunda parte, ou parte final da sua frase, podemos nos permitir de ficar estarrecidos com a maneira crua e dura como a realidade é posta - "O Brasil tem tudo o que precisa, tem todos os recursos e os desperdiça". Este desperdício causa, certamente, feridas profundas naqueles que almejam por uma educação de qualidade e não a recebem (quantas vezes, nem a de qualidade, nem a ruim). O modelo de gerenciamento da educação é, portanto, um dos fatores a contribuírem para uma educação que machuca.

Na primeira parte da sua sentença, Pacheco é categórico a afirmar que o Brasil não precisa de (mais) recursos para melhorar e aí vem mais um machucado, de tal modo grande que é capaz de levar à amputação (dos ideais: de homem, de sociedade, de comportamento, de instituições...!) e tudo pelo que está apenas implícito na sua afirmativa: "Se pararem de roubar, haverá recursos que cheguem". Esta realidade, infelizmente, é percebida até pelo analfabeto mais funcional que seja e não há nem necessidade de alarde dos fatos pela via mais distorcida dos meios de manipulação aos quais alguém teima em chamar de "meios de comunicação social"!

Como formar novos seres sociais respeitadores, probos, honestos, justos e amigos da verdade? Como lhes explicar que na escola lhes ensinamos conceitos que a sociedade (e principalmente aquela que o devia representar) escarnece, vilipendia e ultraja? De que tamanho serão as feridas que a educação, assim posta, causa na integridade e na construção de uma personalidade e individualidade desses seres humanos?

A educação machuca sim. E não temos de dizer, com meu amigo Pacheco que para evitar esse machucado poderíamos pensar em algum tipo de de intervenção cirúrgica que eliminasse esse mal que se alastra em proporções endêmicas

"A começar pelo próprio Ministério da Educação. Eu brinco, por vezes, dizendo que o melhor que se poderia fazer pela educação no Brasil era extinguir o Ministério da Educação. Era a primeira grande política educativa".

Não será o caso dessa troca quase mensal de ministros uma boa oportunidade para colocar em prática esse receituário? 

Falem a verdade... Não parece brincadeira de criança, aquela de brincar de família em que o pai da criança é trocado a cada instante pelo gosto da mãe interesseira?

Razão tinha Darcy Ribeiro:

  Foto retirada da Internet