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sábado, 2 de janeiro de 2016

266 PARA REFLETIR NAS FÉRIAS



Um assunto que vem começando a me inquietar um pouco – e não é de agora, não! – diz respeito à violência que tem grassado no interior de nossas escolas como repercussão da questão social e, ao mesmo tempo, como produtora de novas condições sociais. Haverá algo a fazer para evitar essa propagação? Tenho minha crença e uma proposição a fazer; mas sei que através de uma não chegarei ao céu e com a outra não atingirei (sozinho) os “fazedores de leis educacionais” com tal impacto que possa contribuir para reverter – ou pelo menos para minimizar os efeitos nefastos desses atos de violência no seio da atual sociedade.



Por que existe violência no interior de nossas escolas?

Algumas respostas nós já as conhecemos, ou fingimos que assim é. Outras talvez nos escapem completamente apenas por não estarmos atentos à dicotomia existente entre o nosso discurso e a nossa prática. Vou tentar – sempre de modo superficial ou pelo menos não muito aprofundado – em consideração ao espaço que aqui ocupo, discutir essas respostas. Assim, vejamos com atenção:

“A violência que penetra os muros da escola é gerada na sociedade externa a essa escola”.
- Bela desculpa, sem dúvida, mas bastante ortodoxa; a culpa está sempre nos outros.


“A violência que invade a escola é gerada pela desagregação familiar e a falta de limites”.
- Verdadeira heterodoxia que não se alinha como um argumento muito plausível na busca de uma origem. A culpa deixa de estar “nos outros” para ser colada em alguém mais específico.

“A violência que consome a tranquilidade do ambiente escolar é motivada pela ‘falta de moral’ dos professores”.
- A culpa assume contornos específicos, começa a ficar perto de nós, com endereço certo.

Quantas desculpas mais nós não conhecemos?



Certamente conhecemos um montão de outros motivos, mas independente de qual seja o motivo que apontemos o produto dessa “violência” é uma juventude excluída por um processo oficializado numa instituição que prega a inclusão, mas que, na verdade, pratica essa inclusão via exclusão, isto é, excluindo. Sim, é da escola que eu falo! Dela mesma! Não a escola – imóvel – mas escola política social, a escola aparelho ideológico de estado, como já dizia Althusser.



Pacheco, um educador português, criador de uma escola diferenciada – a Escola da Ponte – vai nos pintar, com um colorido bem carregado, a instituição que percebe e critica. Para ele, a escola pode ser vista como uma prisão: ela tem grades (curriculares); disciplina, para “corrigir desconhecimentos”; provas para mostrar que você, aluno, está atento e assimilando a lavagem cerebral que lhe fazem... A escola, para ele, não deve ser o local onde alguém “dá” aulas, pois tem uma “carga” horária a cumprir, como qual fardo a ser transportado a duras penas.



Ali, na escola como ele idealizou e produziu, a Ponte, o aluno é sujeito do seu aprendizado. 
Ali não se impõem conteúdos preparados para “adestrar” as criaturas para uma finalidade.
Ali se pratica a liberdade de aprender a partir da necessidade de cada um, no seu ritmo e seguindo a vontade individual.
Ali não há classes, todos são iguais e todos sabem e todos aprendem, em conjunto, as mesmas coisas.



Como se percebe, a escola, tal como a que aqui temos não passa de uma instituição propícia a formar outro sujeito que um revoltado. O revoltado gera violência como resposta a uma situação que lhe sonega os meios de ser diferente: não lhe mostra a vida como ela é, não oferece possibilidade de se autossustentar, não lhe oferece segurança, não lhe dá liberdade, cerceia-lhe as expectativas, escurece horizontes...



É preciso que a sociedade ofereça à escola a oportunidade de formar um homem que pense o futuro e não se acomode em apenas reproduzir as ideias de uma porção minoritária da população que tem visão retrógrada e interesses declarados na permanência do status quo educacional.

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