Aos interessados

Aos interessados

Sejam todas e todos muito bem vindos ao nosso grupo.

Estamos ao vosso dispor para aqui publicarmos as vossas reflexões sobre a temática da Formação de Professores.
Para publicar, basta que enviem cópia digitada em words para o e-mail do administrador que, após moderação (principalmente contra plágios) e aprovação, se fará um prazer em veicular as vossas produções.
Para maiores informações visualize o registro do grupo junto ao CNPq através do link:


Visitou nosso blog?
Deixe um alô para que possamos saber que esteve por cá. Gostamos muito de todos nossos visitantes.

domingo, 30 de novembro de 2014

63 CHEGANDO LÁ

Aos poucos, para que se sinta um pouco a dificuldade que é trabalhar com o ser humano, vamos chegando ao fim de mais uma tarefa: trazer-lhes as nossas publicações. Acabo de receber a 4a colaboração de nossa amiga Rayanne Mendes e, de imediato, coloco à disposição de nossos leitores.

Para tanto, basta procurar sobre a aba direita do blog o 4 Texto ENID e pronto. Agora fico no aguardo de receber o texto de Israel para completar a série.

A partir da próxima semana estaremos entrando (como vá aqui anunciei) numa nova fase do Grupo de Estudos.

Sucesso para todos nós e aqueles que se queiram juntar a nós! 

62 PARA REFLETIR NO DOMINGO

Pascal já dizia:

"É preciso acreditar que por trás de toda verdade existe uma outra verdade qualquer que se lhe opõe".

sábado, 29 de novembro de 2014

61 RESPONDA QUEM SOUBER



Sento para tentar ler um livro-texto, o que pressuponho me dará algum tempo de repouso e prazer, mas eis que ao primeiro olhar no sumário já se levanta a preocupação através da pergunta inquietante que o autor me coloca: “Para que serve a formação”?

A questão não é – em si – uma surpresa que eu não pudesse aguardar, na justa medida em que venho me debruçando sobre a temática, podendo dizer, portanto, que estou um tanto ou quanto preparado para respondê-la, nem que seja ao meu modo, pois não tenho a pretensão de conhecer todas as respostas ou possibilidades que se oferecem ao estudioso do assunto. O que me surpreende é o lugar onde essa questão é posta. Bem no começo do texto, à guisa de introdução, anunciando de imediato ao leitor o teor da leitura que vai encontrar nas páginas seguintes. Esta me parece ser, pela análise que tenho feito do seu autor – o professor José Pacheco – uma característica bem marcante da sua forma de escrever e até mesmo de “palestrar”: direto, imediato e objetivo.

Tento, portanto, ler o livro “Escola da Ponte – Formação e Transformação”[1].

São 152 páginas que, como entendem, precisam ser lidas, relidas, analisadas e reanalisadas, de forma lenta para que possamos apreender todos os significados declarados e ocultos que nelas encontraremos. Não é uma leitura difícil para quem é “da lide”, mas está grávida de ideias e propostas que se podem transformar num trampolim para a elevação da qualidade de um produto que todos carecemos: a Educação. É uma leitura para ser saboreada, degustada, apreciada em sua plenitude, com tempo para buscarmos os aromas e sabores das finas ervas e dos condimentos afrodisíacos que nos podem aumentar o “tesão” pelo ato de educar. Esta é a proposta que coloco aos meus parceiros e parceiras do grupo de estudo, para que desenvolvamos nos próximos seis meses.

Para nos colocar “água na boca”, Zé Pacheco, como lhe chamo, nos traz um primor de reflexão escrita por Cecília Meireles, que lhes deixo como aporte para uma reflexão inicial:

“Que lhes valeu todo o curso que fizeram durante longos anos? Em vão leram livros copiosos, beberam a caudalosa erudição dos catedráticos imponentes, como oradores parlamentares, fizeram provas escritas de inúmeras laudas, com letra miúda... Palavras, palavras, palavras que o vento levou...
As aulas de psicologia ficaram geladas nos livros; as de pedagogia fecharam-se nas caixas de jogos; as outras não levaram em si nenhum gérmen dessas duas, que são, no entanto as indispensáveis a quem vai ser professor...
Pobres alunas que não tiveram quem as orientasse a tempo! Depois de tanto trabalho, terão de fazer por si mesmas, e com enorme esforço, aguilhoadas pela pressa de quem já está no quadro do magistério, toda a cultura técnica que ninguém pensou ou lhes pode fornecer no momento devido”[2].

A sugestão, aqui e para este desafio inicial, será de responder verdade às condições que a autora aponta como elementos da formação daqueles tempos:  Quantos livros (nem precisam ser copiosos) os atuais formandos leem durante o curso? Quanto de atenção prestam nas exposições do professor (maldito facebook!)? Quantas provas escritas “de inúmeras laudas”, ou mesmo de apenas uma lauda completa, fizeram?

A segunda parte desse pequeno "grande texto" de Cecília é um primor de verdade e realidade. Reflitam sobre seu teor e depois respondam a pergunta inicial do Zé Pacheco: “Para que serve a formação”? Principalmente essa formação que aí temos.



[1] PACHECO, José (2008). Escola da ponte: formação e transformação. Petrópolis (RJ): Editora Vozes.
[2] Meireles, C. (2001). Crónicas de Educação (3). Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, pp. 158-159. 

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

60 PRODUZINDO CONTINUAMOS

Tal como prometido, aqui venho deixar mais um dos cinco textos apresentados em Campina Grande/PB no IV ENID - este é o terceiro - de autoria da Lindelma, uma das componentes do nosso grupo de estudos.

Espero que aproveitem a oportunidade para refletir sobre a temática que vimos discutindo, pois ela é relevante,logo atual, e no nosso curso precisamos discutir bastante o tipo de formação que nos estão oferecendo. Toda e qualquer melhora será isso mesmo de lucro, de ganho, não só para nós como para a educação da região de um m odo mais genérico.

Façam, pois, vossas leituras e colaborem deixando sugestões, acordos ou desacordos com a maneira como vimos dirigindo nossos estudos e ações. Acreditem que todas as colaborações serão pesadas e medidas na justa medida que merecerem.

Ah! O texto está logo aí ao vosso lado direito, na página!

Bom fim de semana para todos!






quinta-feira, 27 de novembro de 2014

59 PRODUZINDO VAMOS

Dois trabalhos (por agora, assim que os outros três estiverem prontos eu divulgo) apresentados em evento realizado na cidade paraibana de Campina Grande (IV ENID). Para acessá-los basta clicar no link aí sobre o lado direito da página do blog. 

Os dois trabalhos são: o do Pedro Weslei (valew Pedrão, pela garra e vontade de fazer mais e melhor!!), sendo o segundo de minha autoria, no qual, a bem da verdade, faço a apresentação do "GE" e deixo minha mensagem.

Faltam ainda três (o de Lindelma, o de Israel e o de Rayanne) que deixo de publicar por não ter ainda o texto final que foi enviado e defendido, mas assim que ele(as) me enviarem estarei colocando à disposição geral.

Estes trabalhos foram publicados nos Anais do Evento que breve estará on line.

O nosso grupo é pequeno, mas raçudo! Vontade de fazer mais, de dar nossa contribuição para um debate qualificado sobre formação de professores são os combustíveis que nos alimentam nessa peleja!

Força meus bravos!
Próximo objetivo: publicar em revista com Qualis/CAPES.








quarta-feira, 26 de novembro de 2014

58 REORIENTANDO AS VELAS



Busco, entre tantas palavras, conceitos, imagens faladas e opiniões, algo que me ajude a argumentar minha oposição ao atual modelo formativo de professores e, num relance, deparo-me com estas palavras utilizadas por José Pacheco, no seu livro "ESCOLA DA PONTE: Formação e transformação", referindo-se às lamentações escutadas no Brasil, quando o assunto é a formação de professores: “o professor vai, fica ouvindo sobre várias linhas pedagógicas e no fim não aprende nada que consiga usar”.

Paro alguns segundos para a reflexão necessária e me vêm à mente múltiplas falas, pensares e dizeres tantas vezes escutadas, mas nem sempre refletidas ou analisadas na sua complexidade: 

Não é preciso ir tão longe para entender por quê. Basta consultar os rankings internacionais de ensino. Neles, o Brasil chama atenção por uma razão para lá de negativa. Está sempre entre os piores países do mundo em educação (DURHAN, 2008, s/p).

A ideia de senso comum, inclusive de muitos pedagogos, é a de que Pedagogia é ensino, ou melhor, o modo de ensinar. Uma pessoa estuda Pedagogia para ensinar crianças. O pedagógico seria o metodológico, o modo de fazer, o modo de ensinar a matéria. Trabalho pedagógico seria o trabalho de ensinar, de modo que o termo pedagogia estaria associado exclusivamente a ensino (LIBÂNEO, 2001, p.p. 5-6).

Simplificando de forma quase caricatural, podemos dizer que alguns focaram a sua atenção nas características individuais das crianças, nos seus afectos e problemas, procurando cuidar e atender às suas necessidades. Pelo caminho, foram perdendo a batalha do conhecimento, transformando a escola num lugar de vida, mas descurando a sua função de preparação para o futuro. Outros, pelo contrário, recusaram-se a olhar para as diferenças entre as crianças e refugiaram-se na sua missão de provedores de saberes, pouco cuidando de indagar se alguém os aprendia. Para uns, conta a criança. Para outros, o ensino. E nesta dicotomia nos temos perdido, esgotando-nos inutilmente (NÓVOA, 2011, p. 67).

Das três citações, uma já é conhecida pelo trabalho que vimos realizando através do estudo de Nóvoa de quem, apesar de nos afastarmos neste momento, não significa que tenhamos compreendido toda a teorização a respeito da formação de professores, apenas nos afastamos ligeiramente para que possamos permitir que outros estudiosos façam parte da nossa reflexão.

A partir de agora estaremos debatendo essa ideia de senso comum de que nos fala Libâneo, ao mesmo tempo em que iremos dialogando com outros pensadores da temática em discussão. Acreditamos firmemente que, caso as propostas de Nóvoa e Libâneo se venham a concretizar depois das devidas adequações e das reflexões necessárias, não teremos que chegar ao extremo proposto por Durhan, malgrado defendamos o fim da Pedagogia enquanto instância formadora de professores em favor da criação de um Curso de Formação de Professores que atenda um pouco mais às especificidades exigidas pela profissão.

A profissão docente precisa recuperar não só o prestígio social, quanto o profissional. O professor não pode abdicar de suas funções precípuas para se tornar um “generalista” nas artes mais diversas e supletivas. Há necessidade de recuperar a imagem do Mestre como aquele que tem por função preparar a todas as categorias – inclusive a dirigente que peca em não reconhecer o papel social que desempenhamos na preparação da sua prole: sem a figura do sofrido professor, a elite dominante não se reproduziria que de forma analfabeta.

Por isso tudo e, principalmente, pensando na formação de um ser social capaz de perceber o contexto em que está inserido, de agir com esse contexto e de transformá-lo, o nosso grupo de estudos pretende absorver a compreensão mais alargada do que seja "a formação" do agente encarregado de processar essa catarse para que possamos nos transformar em multiplicadores de práticas educativas/formativas que suplantem o simples adestramento para a propagação do ideário neoliberal/capitalista.    

57 GERAÇÃO 2000



Geração 2000
Lá vamos nós!

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

56 - PESOS E MEDIDAS

Pensemos um pouco nesta assertiva:

"Se a competência dos professores fosse medida pelo número de cursos frequentados, a qualificação dos professores seria extraordinária. Se a qualidade das escolas pudesse ser medida pelo peso dos certificados de acções de formação frequentadas pelos seus professores, aconteceria uma revolução em cada escola".
José Pacheco (2008)

Pensou?
Vamos "revolucionar"?

domingo, 23 de novembro de 2014

55 SOFRIDÃO



O dia de hoje, apesar do repouso que todos merecemos é, para mim, de reflexão e, porque não, de balanço e avaliação ao término de uma etapa do processo que me propus desenvolver contando com a participação de meus “parceiros” de labuta. Por que hoje?Porque ontem encerramos – com sucesso, diga-se de passagem – essa primeira fase do processo.

Sucesso! Total, parcial ou apenas a satisfação do dever cumprido? Aí pode residir a diferença. O que para uns pode ser o sucesso total, pode tão simplesmente não passar desse último sentimento do dever cumprido para outros, mas a humanidade é assim mesmo, discordante, questionadora, exigente. Atender a todos de maneira a obter, de todos, a mesma resposta não é tarefa fácil e, diga-se “em passant”, ainda bem que assim é ou o viver poderia tornar-se numa monotonia assassina.

Cheguei faz poucas horas de mais um evento em que buscamos socializar nossos pensares convergentes/divergentes dentro do grupo de estudos sobre a formação de professores. Campina Grande nos recebeu com as pompas merecidas, com uma organização de dar inveja (muito embora ínfimas coisas pudessem ser melhoradas), numa estrutura tão superior a outras já conhecidas que, só quem não conhece poderá imaginar que estou exagerando. Fui literalmente cativado pela grandiosidade da UEPB, uma grandiosidade operacional, planejada em muitos dos mínimos detalhes. Apenas para exemplificar o acesso às salas de aulas no pavilhão principal pode ser feito de três formas diferentes: Escadaria (em granito, por favor!), passarela para cadeirantes e ainda por elevador. É uma estadual.

Mas voltando ao nosso trabalho para registrar, então, a participação de 5 de nossos componentes, tendo faltado a nossa mais recente “aquisição”, a professora Aretha Feitosa, que está conosco há apenas um encontro antes da realização do evento. Nossos trabalhos foram aplaudidos e despertaram interesses na plateia que nos assistia, tanto dos estudantes do PIBID/UEPB quanto de outros docentes da educação básica e do ensino superior que prestigiavam as apresentações. Vale lembrar que nesse evento também tivemos a presença de representantes do PIBID/URCA que ali apresentaram trabalhos na modalidade POSTER, para elas, estudantes, o nosso aplauso.

Neste momento é preciso não temer fazer a confissão que alguns pequenos pecados foram cometidos ao longo do nosso estudo, mas nenhum deles pode ser classificado como capital, portanto capaz de nos levar mais longe que o purgatório. Foram pecados contra a responsabilidade de todas as partes (a minha, inclusa), talvez contra forma como o grupo vem sendo conduzido, mas uma coisa tenho plena consciência: malgrado tudo isso fica-me a certeza algum aprendizado conseguimos retirar desses nossos (des)encontros. Nossas posições, que por vezes divergiram, serviram para enriquecer o nosso diálogo e, muito especialmente, para nos proporcionar uma visão mais ampliada do que seja esse ato da formação de professores. Sei muito bem que a novidade enseja a vontade de ir mais rápido e querer tudo ver/ler/fazer de uma só vez (talvez aí esteja outro de nossos pequenos pecados), mas essa é uma realidade que não devemos perseguir. O tempo é mestre e sábio. Ele deve ser o diapasão pelo qual devemos sempre afinar nosso instrumento de curiosidade para que não sejamos atropelados pelo trem da história.

Quero traçar algumas das próximas atividades do grupo. No próximo encontra tentaremos fazer o fechamento da primeira abordagem ao pensar de Nóvoa, com a apresentação/discussão da palestra que ele proferiu em São Paulo e que sintetiza todo este nosso momento. No segundo encontro passaremos à leitura de um outro pensador da temática que será escolhido democraticamente entre os participantes do grupo de estudo. A escolha poderá recair sobre um dos três autores aqui apontados: Libâneo, José Pacheco ou Newton Duarte. A maioria decide. Depois será a hora de partir para a ação, mais uma vez tendo por fio condutor a reflexão que for realizada a partir do estudo do autor escolhido.

O período dos grandes eventos já está encerrando e isso nos permite concentrar forças numa nova atividade que já foi proposta e aprovada: A escrita de artigos que se destinem à publicação em revistas indexadas. É uma nova e IMENSA TAREFA. Apesar das grandes dificuldades em publicar na nossa área, não é nada IMPOSSÍVEL, pois o impossível só existe para os fracos e para aqueles que não têm persistência e convicção no que fazem. Estaremos nessa a partir do próximo encontro, no qual passaremos a preparar, também, a realização do nosso evento para socializarmos nossos fazeres e aprendizados.

Por fim, um enorme agradecimento a esses guerreiros que estiveram comigo nesta peleja, enfrentando muitos contratempos e, principalmente, alguns falares e pensares tendenciosos que percorrem caminhos interesseiros e outros acomodados. Obrigado Lindelma, Pedrão, Israel, Rayanne e Aretha, vocês me dão orgulho! Quero, para encerrar, deixar aqui registrada a resposta à pergunta final de minha apresentação de ontem em Campina Grande, quando questionava: “Se sabemos o que é preciso fazer, por que não fazemos”? Para responder da maneira mais direta e objetiva que me caracteriza e me faz, por vezes, passar por politicamente incorreto e/ou grosseirão, direi: “Porque somos um bando de acomodados, teoricistas e de discursos completamente vazios”. E, à boa maneira de Nóvoa, deixar mais esta reflexão: “O futuro é agora”. Não deixemos para amanhã a decisão que precisava ter sido tomoda ontem!
              Parte da acessibilidade = pensando no próximo

                Arquitetura, modernidade e funcionalidade a serviço do saber

           Pessoas, saberes, fazeres e o surgimento de um novo vocábulo: SOFRIDÃO

                                      Arte - Trabalho - Ciência = HARMONIA!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

54 PROGRAMANDO AÇÕES

Ora pois muito bem, desculpem esta ausência prolongada e de certa forma involuntária, mas existem duas boas razões que a justificam: a primeira é a ocupação (grande) nos preparativos para a viagem de apresentação de trabalhos do GE na cidade Paraibana de Campina Grande que acontecerá dias 21 e 22 (sexta e sábado) próximos. A segunda é que aqui em casa a confusão anda grande com poeira entrando até onde menos se espera em virtude de um processo de renovação da pintura geral da mesma - imaginem.

Por conta destas ocorrências não tive tempo para me debruçar sobre os textos de Nóvoa que tanto admiro e dos quais espero fazer a coleta de informações preciosas que me permitam sugerir alterações necessárias no curso de Pedagogia que hoje se diz formador de professores. Acredito que na próxima semana terei oportunidade de me deleitar com aquilo que venho considerando como meu maior objetivo no momento.

Nesse sentido peço a todos, principalmente aos meus companheiros de GE, que pacientem um pouquinho e se concentrem nas atividades que temos para realizar de imediato para depois partirmos para nova rodada de estudos e ações.

A todos nós um bom trabalho no evento!










quarta-feira, 12 de novembro de 2014

53 FORMAR O PROFESSOR POR DENTRO DA PROFISSÃO



Os cursos de formação de professores estão, segundo Nóvoa (2009) com quem concordo plenamente, abarrotados de discursos vazios e paupérrimos de práticas. Esta imagem de linguagem, bastante ampliada para provocar um efeito imediato nos leitores, suplanta de longe a realidade que é possível constatarmos quando frequentamos um destes cursos de Pedagogia, por exemplo e muito embora possamos incluir todas as licenciaturas no mesmo bornal.

Vale salientar que, o longo de minha existência já conheci várias tendências formativas, todas em função de novas tendências educacionais, fato que poderia ser afirmativo caso as tendências fossem pressupostos para a melhoria da educação, mas não tem sido o caso. Assim, acabo mais uma vez por concordar com Nóvoa quando ele nos traz a reflexão sobre os “modismos” e suas implicações. Diz-nos ele, textualmente:

O campo da formação de professores está particularmente exposto a este efeito discursivo, que é também um efeito de moda. E a moda é, como todos sabemos, a pior maneira de enfrentar os debates educativos. Os textos, as recomendações, os artigos e as teses sucedem-se a um ritmo alucinante repetindo os mesmos conceitos, as mesmas ideias, as mesmas propostas (2009, p.27).

A verdade que eu construo ao longo de minhas reflexões, com apoio noutros pensadores, é que a educação, em qualquer dos níveis possíveis e modalidades que ela possa acontecer, está sempre a serviço do poder e tem por finalidade formar um ser social adaptado ao modo produtivo vivenciado ou em perspectiva. Da minha recordação foi assim com o tecnicismo, com a tendência libertária, com a libertadora e com a crítico-social dos conteúdos, assim como está sendo colocada mais recentemente pelo neotecnicismo que se contrapõe à pedagogia histórico-crítica. Passamos, portanto, de uma prática tradicionalista centrada no professor, para uma prática centrada no aluno – viva a escola nova, o aluno como centro do processo e o construtivismo, viva!; passamos pelo pragmatismo das competências através do aprender a aprender e do aprender a fazer fazendo – está aí o tecnicismo que não deixa compreender diferentemente, para falar apenas destas, mas nunca houve – pelo menos nas últimas décadas – a preocupação com uma formação do professor “por dentro da sua profissão” como nos assevera Nóvoa.

Formei-me em Pedagogia no início da década de 90 do século passado e, de lá até esta data já passei pela educação básica e hoje estou no ensino superior, precisamente no mesmo curso em que me formei. Sem querer ser pessimista devo advogar que não percebi mudanças significativas que não sejam para pior. Aumentou-se a quantidade de disciplinas, mas aligeiraram-se os conteúdos; trocaram-se disciplinas por outras, mas sempre em prejuízo das primeiras, por exemplo, saiu a matemática elementar e a produção textual para a entrada de outras (que deixo de citar para não causar mal estar às pessoas que as ministram) que estão menos relacionadas com a profissão docente para estarem mais ligadas, por exemplo, à área da saúde ou da assistência social. Teoricizamos demais em detrimento das práticas, não conseguimos encontrar (ou não queremos encontrar?) o justo equilíbrio entre as partes componente da práxis que, neste momento parece poder ser designada por uma práxxxxxiiis (pouca prática para muita teoria).

Mas voltemos à nossa formação docente. Quero agora trazer um questionamento que eu formulei e confirmei através de pesquisa, durante dois anos, que me mostrou a seguinte realidade: 85% dos formandos que responderam a pergunta: como eles “esperavam obter conhecimentos para praticar em sala de aula”: “Quando estiver em sala de aula”. Diante desta resposta procurei, então, em Nóvoa (2009, p. 30) e encontrei o seguinte: “Ser professor é compreender os sentidos da instituição escolar, integrar-se numa profissão, aprender com os colegas mais experientes. É na escola e no diálogo com os outros professores que se aprende a profissão”. Tenho agora elementos capazes de me ajudarem numa argumentação mais consistente, a ponto de questionar: Em função desta constatação de eu é na sala de aula que se aprende a ser professor, por que as universidades (pelo menos esta em que trabalho serve de exemplo para tal) não adequam seus currículos formativos a essa realidade e abandonam a postura mais teoricista e passam a praticar uma formação mais contextualizada com a realidade escolar que o país vive e necessita transformar?

Por hoje a reflexão fica neste patamar. Na continuidade abordarei, certamente, outros aspectos desta mesma problemática.

Referência:
NÓVOA, António. Professores: imagens do futuro presente. Lisboa: Educa, 2009.