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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

113 PITACOS E PITADAS DE SABER

Meu tempo tem, ultimamente, "me deixado na mão". E não tem sido só a mim, lamentavelmente; sofrem com isso meus parceiros e parceiras de GE que se sentem (penso eu!) órfãos nessa caminhada rumo ao conhecimento mais elaborado do pensar diferente aquilo que querem que pensemos de modo homogêneo e alienante. A vocês, em nome do meu tempo escasso, as nossas desculpas e a promessa (que não é nada bom e nem garantia de nada) que nesta próxima semana que se avizinha estaremos retomando o nosso plano de voo, com velocidade de cruzeiro e no corredor aéreo determinado.

Enquanto não chegamos a esse nível, permitam-me que lhes traga algumas reflexões do nosso intelectual em estudo - Zé Pacheco - para que possamos melhor nos ir preparando para uma abordagem mais tranquila. 

Sobre financiamento da educação, no Brasil, diz-nos ele com toda a clareza:

"O maior absurdo é que a educação do Brasil não precisa de recursos para melhorar. O Brasil tem tudo o que precisa, tem todos os recursos e os desperdiça".

Sobre as políticas educacionais no Brasil, diz ele:

"Eu brinco, por vezes, dizendo que o melhor que se poderia fazer pela educação no Brasil era extinguir o Ministério da Educação. Era a primeira grande política educativa".


Sobre a concepção de educação, ZP vai fundo:

"O essencial seria que o Brasil compreendesse que não precisa ir ao estrangeiro procurar as suas soluções. Esse é outro absurdo. Quais são hoje os autores que influenciam as escolas? Vygotsky [Lev S. Vygotsky (1896-1934)], Piaget [Jean Piaget (1896-1980)]? Não vejo um brasileiro.[...] Esse é outro absurdo. Quem é que ouviu falar de Eurípedes Barsanulfo (1880-1918)? De Tomás Novelino (1901-2000)? De Agostinho da Silva (1906-1994)? Ninguém fala deles. Como um país como este, que tem os maiores educadores que eu já conheci, não quer saber deles nem os conhece?

Sobre a resistência dos professores às mudanças, afirma:

"Os professores são um problema e são a solução. Eu prefiro pensar naqueles professores que são a solução, conheço muitos que estão afirmando práticas diferentes".

Sobre o desperdício na educação ele é enfático:

"O desperdício de tempo também é enorme em uma aula. Pelo tipo de trabalho que se faz, quando se dá aula, uma parte dos alunos não tem condições de perceber o que está acontecendo, porque não têm os chamados pré-requisitos, e se desliga. Há um outro conjunto de crianças que sabem mais do que o professor está explicando - e também se desliga. Há os que acompanham, mas nem todos entendem o que o professor fala. Em uma aula de 50 minutos, o professor desperdiça cerca de 20 horas. Se multiplicarmos o número de alunos que não aproveitam a aula pelo tempo, vai dar isso".


E arremata...


"O desperdício maior tem a ver com o funcionamento das escolas. Os professores são pessoas sábias, honestas, inteligentes e que podem fazer de outro modo: não dando aula, porque dar aula não serve para nada. É necessário um outro tipo de trabalho, que requer muito estudo, muito tempo e muita reflexão".
 
Quando é perguntado sobre o que é, para ele uma boa escola, dispara à queima roupa:


"É a aquela que dá a todos as condições de acesso, e a cada um, condições de sucesso. Sucesso não é só chegar ao conhecimento, é a felicidade. É uma escola onde não haja nenhuma criança que não aprenda. E isso é possível, porque eu sei que é. Na prática".

Finalmente, quando lhe perguntam de onde deve partir a mudança estrutural da educação, aponta:


"Acredito que possa partir do poder público, mas duvido que aconteça. As secretarias têm projetos importantes, mas são de quatro anos. Uma mudança em educação precisa de dezenas de anos. Precisa de continuidade. E isso é difícil de assegurar em uma gestão. Precisa partir de cada unidade escolar e do poder público juntos".

Bem... temos aí, mais que algumas palavras soltas, algumas sentenças que nos deverão fazer refletir sobre a nossa realidade educacional de uma forma mais engajada e menos sentimental. Precisamos, enquanto professores e futuros professores, ter a coragem de parar por alguns instantes e fazer uma auto avaliação, um reflexão bem aprofundada e, principalmente, discutida e aplicada. De nada adiantará ficarmos apenas no ato de contrição mecânico e deixar a prática vagar ao sabor de humores diversos (quantas vezes contraditórios) e impostos.

Aos vossos apontamentos e rascunhos de planos para um futuro próximo que, espero, seja de sucesso e transformador da PRÁTICA que aí temos.