Aos interessados

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terça-feira, 29 de setembro de 2015

242 O DIREITO DE SER DIFERENTE

E assim, imerso em trabalhos outros que me têm ocupado a quase totalidade do tempo, chego ao último dia do mês de setembro. O mês começou "a mil por hora" e está chegando ao seu final "cansado velho de guerra".

Mas é assim mesmo! Todos os dias são dias, mas nenhum deles é ou pode ser considerado igual ao anterior. Cada dia tem suas peculiaridades. Os meus não são diferentes dos de ninguém nesse quesito.

O ano já dá sinais de despedida e logo estarão a explodir no ar os fogos festejando o novo e sempre festejado ano. No nosso caso, o ano que refiro - o letivo - antecipa a alegria da criançada preparando-a para os festejos que se aproximam. Para algumas dessas crianças, contudo, o insucesso escolar pode representar uma alegria frustrada. Para as restantes o momento será de aguardar o próximo desafio.

Para nós, professores, começa mais um período que deveria ser de reflexão sobre as nossas práticas e, logo após, de planejamento de outras alternativas capazes de dinamizar a construção de novos conhecimentos. O conhecimento é processo, logo algo em constante transformação, obrigando, portanto, a uma permanente reciclagem/atualização por parte de quem tem a incumbência de direcionar os mais novos no rumo do progresso. Se não houver essa reciclagem/atualização estaremos apenas sendo os reprodutores dos saberes já esquecidos pelos nossos formadores.

Pessoalmente amo os desafios, o novo, o atual e até mesmo o ainda não consolidado. Tudo isso me instiga, me motiva, me excita. Talvez por isso não me sinta jamais satisfeito com o andar melancólico que a educação apresenta em presença da velocidade quase supersônica com que o conhecimento se desenvolve. Recordo sempre a fábula da lebre e da tartaruga, só que com um fim bem diferente... a lebre continua sempre à frente e bem distante.

A sociedade, muito mais consumista que produtora de saberes, me deixa sempre angustiado, pois gostaria de, pelo menos, produzir para o próprio consumo e, se possível, para socializar gratuitamente com outras pessoas menos produtoras. Difícil, pelos tempos que correm, é encontrar repostas a uma proposta que rejeita o individualismo e prega a coletividade. Não é algo impossível de localizar, é, tão somente, difícil de achar.


Eu continuo minha batalha. Já derrubei alguns moinhos, mas muitos insistem em me enfrentar e, se possível derrotar-me, fazer-me desistir dessa minha guerra contra a inatividade que produz alienação. Queria formar um exército, mas não está fácil, as pessoas se realizam na sua inércia e enfrentar lutas tendo que pegar em "armas" é bem menos cômodo que proferir discursos vazios enfeitados com palavras de ordem e lugares comuns que do espaço que ocupam não saem. 

Eu quero continuar a ter o direito de me indignar!   









domingo, 27 de setembro de 2015

241 SENTIMENTOS DIVERSOS

Será, já, a influência da Lua? Amanheci reflexivo e cheio de questionamentos. Devo confessar que, se por um lado penso que esse estado de coisas seja normal, pelo outro procuro os motivos para que tal situação se constitua, assim, logo pela manhã, num dia de domingo. Mas este não é o meu maior problema no momento!

Considerando o conceito de "problema", parto, então, na busca de uma possível explicação/solução para o meu dilema.

Por maior convicção que a pessoa tenha de que está trilhando um caminho certo, aqui e acolá surgem algumas dúvidas geradas pela insistência de acontecimentos que tendem a colocar algumas pedras (quantas vezes verdadeiras muralhas!) diante de nós. Nestes últimos dias, mais precisamente na última semana, dois acontecimentos me marcaram de forma mais específica. Um tentou colocar-me contra a parede, num sentido figurado, bem entendido, quando percebi toda uma classe se colocar, uniformemente, do lado de um discurso que pouco condiz com a prática desenvolvida. Alguém já disse, um dia, que "toda a unanimidade...". Pior que a unanimidade foi a repetição de argumentos, muita repetição, ao ponto de se afirmar: "eu vou repetir o que fulana ou sicrano já disse". Quando questionados, sentiram-se incomodados e deram respostas evasivas. Permaneceu em mim o sentimento de que não ando remando contra o mar, mas contra a maré.

O segundo momento trouxe-me dois sentimentos simultâneos e contraditórios: alívio e tensão. O alívio veio quando percebi que não estou sozinho nesse pensamento de que a nossa Pedagogia não está formando para nada (nem para ser Pedagogo, nem para ser Professor). Um Professor da UNESP, que esteve entre nós e que por poucos foi prestigiado, fez uma afirmação (que frisou insistentemente) na qual dizia que a Pedagogia não está sabendo formar professores (isso lá na UNESP) e questionou se o mesmo estava acontecendo aqui na nossa universidade. Concluo, por dedução que a assertiva é verdadeira a nível de Brasil. A tensão veio quando percebi que há possibilidades que eu esteja lutando contra os famosos moinhos de vento que assumem a forma de monstros inimigos (lembram do D. Quixote?). Que fazer para conseguir que os irredutíveis abram um pouco a guarda e aceitem uma conversa aberta que os desacomode e os faça refletir sobre as práticas que produzem em oposição aos discursos que proferem?

De tudo (e a culpada será a Lua!) resta-me uma certeza: não me acomodarei e estarei sempre pronto a duas ações: uma de desacomodar/desassossegar quem estiver nesse estado; outra, estarei sempre pronto a contribuir para a reflexão que possa produzir novas práticas e ações que visem melhorar aquilo que pode ser melhorado.

   
 Pensemos...

















sábado, 26 de setembro de 2015

240 CONVITE À BELEZA

Respeitando o fim de semana de todos e todas quero apenas deixar o convite para que amanhã, domingo, 27/09, possam assistir (por volta das 23 horas) a um belo espetáculo que será visto no Brasil: Um fato que não acontece todos os anos: a conjugação de uma Superlua, com um eclipse total da mesma, originando a chamada Lua de Sangue (vermelha).

Aproveite e faça seu pedido! Quem sabe a Lua não lhe traia, como traiu a Joelma!


sexta-feira, 25 de setembro de 2015

239 SOBRE A EDUCAÇÃO QUE MACHUCA (2)

Iniciei ontem a dissertação sobre a inquietação que me vem fazendo refletir nestes últimos dias: "A Educação que machuca" e hoje desejo adentrar um pouco mais na explicitação dessa angústia ao tentar analisar, inicialmente, o primeiro dos cinco aspectos que digo educadores, mas que de alguma forma contribuem para a argumentação do ponto de vista que defendo.

Digo eu, no post anterior, que: "O controle é o pior ato de superproteção, pois impede que as crianças aprendam com seus erros". Antes de continuar, porém, é de bom alvitre que se possa acrescentar que a inversa também é verdadeira, isto é, a falta de controle e/ou de proteção (abandono) também se caracteriza como ação perversa na aprendizagem da criança, pois a aprendizagem sem uma orientação pode prolongar-se e não conseguir atingir os fins que se aguarda dela.

 
No âmbito familiar - locus da educação por excelência - a criança precisa encontrar doses certas de amor, carinho, proteção, limites e, principalmente, liberdade. Os extremos são perigosos, pois representam hora uma superproteção que as impede de aprenderem com a relação erro/acerto; hora as infantiliza a ponto de não conseguirem assumir atitudes próprias, ficando sempre sob o domínio familiar (debaixo da saia da mamãe, como se costuma dizer). Na escola, onde deveria complementar a educação familiar com o alargamento sistematizado do conhecimento, um direcionamento mais ou menos ideologicamente centrado também pode contribuir para aquilo a que chamamos comumente de alienação; por outro lado o "abandono à sua vontade" também representa uma enorme possibilidade de estagnação em patamares facilmente manipuláveis por quem tem menos escrúpulos em explorar o outro.

Em qualquer destes dois casos apresentados acima, a educação machuca. Machuca não só quem a ela está sujeito, mas e também, a quem dela se utiliza. Na família é frequente percebermos pais de jovens e adolescentes sofrendo "pela condição de sua prole que não consegue abandonar o casulo"; na escola, basta verificar a quantidade de professores que sofrem (entre outras moléstias provocadas pelo comportamento inadequado dos alunos) da síndrome de Burnout.

Nestes casos é possível dizer que a educação machuca e machuca para valer. Logicamente não vou aqui e agora defender ou atacar causas e efeitos outros que podem advir desse "machucar", pretendo apenas refletir nas possibilidades que se nos apresentam para minimizar esse que é, no meu entender, um dos pontos de maior estrangulamento da prática educativa. 

Entre as práticas que podem contribuir para uma solução que não é imediata, mas deverá ser encarada como resultado de um processo, entendo que a principal seja a não-diretividade de modo unificado e engessado. Este processo que ambiciono deverá tomar em conta a velocidade e a capacidade de evoluir intelectualmente de cada um dos aprendentes, nas diversas etapas do seu crescimento. Para que essa evolução aconteça é mister que a criança possa experimentar, testar, praticar, acertar ou errar, viver o seu momento e não aquele que adultos exploradores querem que ela introjete tal como um robô: fazendo por fazer, pois para tal foi treinada.

A nossa sociedade de base capitalista não concebe uma educação deste porte, nestas orientações que se contrapõem à sua premissa máxima: o maior lucro, já. Se desejarmos mudar os rumos da educação precisamos mudar os rumos da educação e para mudarmos os rumos da educação temos que mudar nossos próprios rumos. Não é tarefa fácil... mas também não é algo impossível. Depende de nós.

Vamos tentar?!     












quinta-feira, 24 de setembro de 2015

238 SOBRE A EDUCAÇÃO QUE MACHUCA (1)



Anunciei, há uns dias, que iria debruçar-me um pouco sobre uma temática que me tem feito refletir e que me parece pertinente ao contexto que venho desenvolvendo: "Quando a Educação machuca". 

Mas compreendendo que em Educação os fatos acontecem à velocidade da luz, hoje me vejo interpretando, numa primeira rodada, algumas posições que me permitem dizer que o maior problema da educação brasileira passa por uma questão pessoal (individual) e não coletiva. Mas não basta nomear, é preciso mostrar!

Olhando um pouquinho de lado (para a minha imagem refletida ali, na superfície lisa do espelho) o que vejo? Os intelectuais mais experientes costumam dizer que vão falar do “lugar onde estão”. Ora, eu prefiro falar do “lugar de onde vim”, pois o onde estou, pode representar um estado (que eles preferem chamar de status) temporário, fragilizado por um contrato precarizado, que amanhã não será mais verdadeiro (se verdade existe em situações aparentes, nas quais se joga o jogo do “faz de conta”), quando o pano de fundo em que esses atos se desenrolam é aquele que, normalmente, cobre a educação.

O que me preocupa sobremaneira é toda uma outra situação, na qual a criança em formação é colocada à disposição de seres que não acreditam, sequer, naquilo que são capazes de fazer. Esta discussão poderá estender-se por inúmeras postagens que (invariavelmente) são entrecortadas por outras de uma aparente maior atualidade, fazendo com que esqueçamos “as velhas promessas”, “os antigos acordos”, “as palavras empenhadas”... E assim vamos “tocando em frente” como nos diz Almir Sater que, por mais que os tempos mudem, não sai da moda! E se “levo esse sorriso, porque já chorei demais” a troco de três vezes nada, é porque entendo que, mesmo a contra gosto, tenho que me submeter a uma maioria que não é, necessariamente, a mais esclarecida e comprometida com os propósitos que almejo para a construção de uma sociedade diferente desta que vivencio, na qual todos possam ter iguais condições. Ah! Este meu sonho...

Mas, onde é que “a educação que machuca” se enquadra neste meu arrazoado? Será a educação algo ruim que tenhamos que nos ver livres dela para que não soframos com os machucados que ela produz, ou, pensando diferentemente, teremos que modificar a nossa forma de educar para que não machuquemos aqueles a quem pretendemos educar?

Vejamos inicialmente alguns exemplos que se dizem “educadores”:
1 - O controle é o pior ato de superproteção, pois impede que as crianças aprendam com seus erros;
2 – Por outro lado, o descontrole que tudo permite, que nada reprime, que não impõem limites impede que as crianças se percam na planície árida da vida, tal como o rio que corre sem margens para delineá-lo e contê-lo;
3 - A educação oferecida pelo Estado machuca por nos fazer criar raízes profundas no comodismo e na obediência para que os homens de amanhã não representem ameaça ao status quo;
4 – A imposição de conteúdos que trazem desconforto ao estudante (estão nesse caso, entre outros, os conteúdos: religiosos, de raça, cor e orientação sexual, origem social etc.);
5 – O regime de “cárcere privado” a que são submetidos os serem “mais ativos” que anseiam por liberdade.

Certamente que poderemos abordar outras situações que também machucam. Por hoje, contudo, fiquemos por aqui deixando a cada um dos leitores um espaço de tempo para que possam refletir sobre os “exemplos educadores” que, a meu ver, machucam bastante. Vale ressaltar que nem sempre o único machucado é o educando. Que os responsáveis pela educação possam refletir e busquem no mais íntimo as marcas que vão restando, quais cicatrizes, em si, provocadas pela realidade que podemos analisar a partir desses exemplos.

Amanhã procurarei analisar um a um esses cinco pontos que considero capazes de machucar. 


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

237 JÁ ESTAVA COM SAUDADES

Estes últimos dias têm sido uma loucura! Uma correria só! Ou, melhor dizendo, muitas correrias ao mesmo tempo! Apenas para dar uma pequena justificativa, devo dizer-lhes que está com seis (06) dias que não ligava o computador: tentava fazer de tudo pelo celular.

Mas não pensem que já acabou! Amanhã já estou outra vez "a contas" com mais uma palestra. Seja lá bem o que for terei que aguentar firme e forte. O pior de tudo é que tudo isso é importante na nossa vida acadêmica.

Por conta de todo esse "bá-fá-fá" tenho estado afastado de minhas atividades "mais normais" junto ao GE e à escola parceira. Todos compreendem, certamente, que não é algo voluntário este afastamento e que assim que a calmaria volte e as águas ficarem menos turbulentas estaremos novamente em plena ação.

Ainda não esqueci a minha última postagem em que anunciava algo mais específico para relatar... mas quero estar de "cuca" fresca para poder raciocinar com mais clareza. DNA Data de Nascimento Avançada - para os menos antenados - começa a fazer efeito, por isso prefiro repousar tranquilamente para depois colocar minhas fofocas em dia.

Um abraço e obrigado por terem visitado o blog assim mesmo, sem maiores novas!

 











quinta-feira, 17 de setembro de 2015

236 DO OBSERVATORIUM

Há momentos na vida em que a educação machuca. Ando pensando nisso! Em breve devo manifestar meu pensar de um modo mais profundo. 

Que se passa com a aprendizagem? 

Acredito que essa reflexão me dará embasamento para tentar compreender alguns fenômenos que não são raros (ao contrário, estão cada dia mais comuns), mas que parece não são suficientemente percebidos para causar maiores preocupações em quem tem por obrigação e dever "pensar a educação".

Vou ali fazer mais umas leituras e já volto. Ando, sinceramente, incomodado!








 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

235 ENTREGA DO PRÊMIO DA PROMOÇÃO 2/15

Com o problema da internet parcialmente resolvido estou voltando à atividade por inteiro. 

Digo parcialmente, pois ainda não consigo sinal em toda a casa (que é relativamente grande), o que me causa alguns pequenos transtornos, mas nada de incontrolável.

Agora pela tarde teve vez a entrega do prêmio da promoção das 10000 visitas com a entrega dos livros à vencedora Lindelma. 

Nesse sentido, a quando da realização do nosso encontro do GE. procedi à entrega dos dois livros, como se pode ver na foto anexa, para que fique registrado.


No momento da entrega estavam presentes todos os membros do GE - atualmente - a saber: Este vosso servo e a agraciada; na fila atrás, da esquerda para a direita: Luana, Luciano e Pedro Weslei. A foto foi tomada por PP, que também integra o grupo!

Boa leitura!

E que mais uma vez fique a prova: sorteamos e entregamos os prêmios. Venha participar com a gente!

234 SOBRE "CIRCULOS DE ESTUDO"

Quando retomo minha leitura bem atenta de sua obra em estudo, diz-me Pacheco (2009, p.21) que:

“Quando a retórica é contraditória com as tendências práticas, há espaço para desenvolver práticas que não são propriamente as oficialmente induzidas mas que podem ser justificadas e legitimadas pela retórica".

Quem lida comigo sabe muito bem como eu me atenho muito às palavras que, segundo a crendice popular, são mais perigosas que balas, pois as palavras sempre atingem seu objetivo, ao passo que a bala nem sempre tem destino certo. Neste caso, e quero sempre deixar claro que se trata do "meu ponto de vista", a retórica à qual José Pacheco (ZP) se refere é o discurso (quantas vezes vazio) assim como o são as teorizações não contextualizadas em sua prática. E qual é o impacto que esta sentença de ZP pode trazer para a formação docente e para a prática futura dos mesmos?

A ideologia (que também é política e não somente educacional) perpassa todas as diretrizes emanadas do poder central pelas vias mais diversas de que esse dispõe, para trazer "transformações" ao processo de ensinagem/aprrendizagem assim como aos modelos formativos a serem desenvolvidos para que mais facilmente se possa manipular o contingente formado. Mas esse contingente não deve cumprir a sua sina de "gado marca", pois é detentor dos meios necessários a reflexão de seus atos e das possibilidades de fazer o diferente quando em desacordo com o "discurso oficial".

Tudo isso, em todo caso, necessita ser feito em conjunto, jamais de forma isolada. Por que ZP nos recomenda os chamados "Círculos de estudos". Nestes, a voz da maioria deverá fazer lei após discussão de prós e contras do que adotará como postura, tendo sempre em vista que quem mais sente os efeitos dessa decisão são os formandos. Outro aspecto do "circulo de estudos" que traz benefícios é aquele que nos prova que neles "aprendemos a recomeçar, após cada contrariedade" (PACHECO, 2008, p.22). 

Quando, por meu turno, decidi montar este "Grupo de Estudo" (GE) - vale salientar que circulo implica na extensão e aplicação de recursos outros que não a presença (veja-se a utilização de meios digitais), o GE implica numa proximidade que rotulo como recomendável, na medida em quase nos obriga a criação de uma "cumplicidade" de ações que só podem ter sucesso se praticadas dentro dessa cumplicidade, de comum acordo, dessa vontade coletiva. Talvez não seja tão significativa a diferença entre "Circulo" e "Grupo", mas a pequena divergências entre métodos de aplicação me parecem suficiente para que opte ou por um, ou pelo outro. Em todo caso vale ressaltar que ambos propões ações afirmativas no quesito formação.

É nesse sentido que eu quero não só parabenizar, como motivar ainda mais a escola parceira a dar continuidade ao processo de discussão coletiva das ações a serem desenvolvidas durante cada ano letivo, vislumbrando a necessidade dos estudantes, em primeiro lugar, e, num segundo momento a sensação que cada elemento da comunidade escolar tem de pertencimento a essa mesma comunidade que, certamente, quererá ver progredir.

Quero encerrar aqui, por hora este assunto fazendo uma nova visita a Pacheco (2008). Diz ele:

"A solidariedade do círculo de estudos permitiu transformar a acumulação de insucessos numa gramática de mudança. A análise dos erros cometidos permitiu desenhar uma estratégia, que conduziria à criação do “núcleo duro” fundador do projecto Fazer a Ponte" (p.22).

Errando também se aprende desde que se saiba retirar a devida lição do erro cometido. Quando essa atividade é discutida em grupo estamos permitindo que, por antecipação, outros componentes do grupo não caiam no mesmo erro e isso deve ser considerada uma ação afirmativa retirada de um ponto que, por algum momento, foi considerada como errônea. Precisamos de humildade para reconhecer nossos erros e querer repará-los. Feito o repara seremos tão dignos quanto os demais, como algo a mais na nossa bagagem: o aprendizado.

Fonte:
PACHECO, J. Escola da Ponte - Formação e transformação da educação. Petrópolis (RJ): Vozes, 2008.













233 NOTÍCIAS

Bom dia pessoal amigo!

Apenas para esclarecer e ao mesmo tempo pedir desculpas pelo repentino afastamento do blog sem ter dado uma justificativa.

Inicialmente, como muitas pessoas puderam perceber ao longo desta última semana, fui acometido por aquilo que os médicos menos responsáveis chamam de "virose" - para eles tudo é virose, mesmo sem olharem no seu olho um só instante. Na verdade fui atingido por um estado gripal que comprometeu as minhas vias respiratórias aéreas  (também em consequência da baixa umidade relativa do ar). Por outro lado. e por motivos alheios à minha vontade, o sinal de internet aqui na minha casa tem andado mais "gripado" que eu, causando fatos estranhos como ter uma velocidade de Upload maior que a de download. Coisas que só a tecnologia e sem vergonhice de nossas prestadores de serviço conseguem explicar, mesmo nos cobrando os olhos da cara e só sendo obrigadas a entregar 10% daquilo que você paga. BRASILLLLLLLL!

 Vias respiratórias - imagem captada na Internet

Quanto ao resto estarei dando continuidade ao nosso GE nesta tarde que já se avizinha. Na nossa programação a continuação do estudo de Pacheco.

A quem fica, os desejos de uma belíssima terça feira de baixa umidade relativa do ar. 

Cuide de suas vias respiratórias aéreas!

domingo, 13 de setembro de 2015

232 REULTADO DA PROMOÇÃO

Mantive uma discreta distância do processo de atribuição do prêmio que estava previsto para quem apresentasse o registro doa visita 9999 no contador.

Aguardei desde sexta feira (11/09/15) que as pessoas se manifestassem. O que adveio desse aguardo foi que até esta data ninguém me transmitiu a possibilidade real de haver ganho o prêmio pela exatidão da resposta. Neste caso, uso do meu livre arbítrio para atribuição do prêmio a quem mais se aproximou do solicitado. 

Mesmo depois de haver tido conhecimento da postagem ainda aguardei para não incorrer em algum tipo de desatino por precipitação.

Então, por aproximação, quem ganha os livros é Lindelma Ribeiro que me enviou a foto do nº 10.000. Parabéns à feliz ganhadora a quem desde já desejo boa leitura e um excelente aproveitamento da mesma.

Olha a prova:










sexta-feira, 11 de setembro de 2015

231 TRANSFERIDOS E "VIOLENTOS"

Na medida do possível venho tentando responder a algumas questões que me foram levantadas na minha mais recente passagem pela escola parceira que venho acompanhando. E se busco essas respostas em outros lugares que não em mim mesmo quer apenas significar que procuro amparo em experiências exitosas para tentar uma maior compreensão das possíveis soluções.

Assim, recorro mais uma vez ao meu "maître à penser" para refletir com ela a resposta que ele  e o seu grupo dão para a/s seguinte/s questão/ões:

Como foi dito, alguns alunos chegam porque foram rejeitados em outras escolas, por apresentarem problemas de comportamento. Como motivar este aluno, que já tem certos preconceitos da escola? Como agir para que haja esta mudança? Como trazer a questão da autonomia para estes alunos, sabendo que nunca tiveram esta experiência em suas vidas?

O sublinhado é meu e pretende destacar dois pontos que me parecem corriqueiros na nossa realidade escolar: a rejeição (exclusão) que traz para o conjunto de envolvidos uma série de problemas: a questão da inclusão, a questão do comportamento desviante e ainda a questão da violência. Um panorama nada fácil de se observar que dizer de se lidar.

Vejamos como o osso autor responde, o que ele recomenda a título de sugestões:

As transformações são lentas e apelam mais à afetividade do que outra coisa qualquer. Qualquer pessoa tem necessidade de estabelecer relações estáveis e significativas. Assim, os alunos que chegam vindos de outras escolas apercebem-se facilmente de que nós nos preocupamos mesmo com eles, mesmo quando falamos num tom um pouco mais duro ou quando a comissão de Ajuda reúne com eles para tentar melhorar algum comportamento. [...] O processo de autonomização tende a ser, em muitos casos, de aceleração acentuada. Ou seja, pequenos avanços levam a avanços maiores É lógico que se a história que está por trás é mesmo muito má - e há casos em que o é - as coisas demoram mais tempo a mudar, e os alunos precisam mais do nosso apoio. Este apoio pode ter de passar por um planejamento conjunto e por termos de "impor" ao aluno o que ele tem de trabalhar, com quem e quando. Mas isto só sucede num número muito reduzido de casos.
 
Como eram várias perguntas, numa só, a resposta tinha que ser desse tamanho. Numa tentativa pessoal de compreender um pouco melhor o que está nas entrelinhas arrisco a dizer que em muitos dos casos de comportamento desviante e /ou de indisciplina a causa está, na exclusão, na rotulação, na falta de atenção com que esses alunos são atingidos. Parte significativa dessas atitudes não têm outro objetivo que não seja o de chamar a atenção, para que possam encontrar um sentido de pertencimento àquela realidade na qual eles estão apenas numericamente inseridos. 

Um tratamento diferenciado daquele a que estava sujeito anteriormente é, na maioria dos casos, o remédio para sanar esses comportamentos, no entanto, até esse trabalho demanda uma atenção especial que faz com que os poderes instituídos não estejam dispostos a perder tempo, pois a razão que os faz dedicarem algum tempo a um processo de formação de ser humano é aquela que foi conhecida como a teoria do capital humano - invisto minimamente no homem para extrair dele o máximo de lucratividade. E assim caminha a nossa humanidade que deixou apoderar por esse dragão chamado capital, contra o qual temos, agora que lutar em busca de um mínimo de condições dignas de sobrevivência.

Por agora, só noutro dia!

Referência:
PACHECO, José e PACHECO, Ma. de Fátima: Diálogos com a Escola da Ponte. Petrópolis (RJ), Vozes, 2014 (pp.34-35). 
     















230 - PASSAMOS DAS 10000 VISITAS. OBRIGADO!

Neste 12/09/15 são agora, exatamente, 08h00 e ao abrir o blog constato que já atingimos o número chave para atribuição do prêmio que foi prometido (está registrando 10003 visitas). Falta apenas que o/a felizardo/a se manifeste para que eu faça a entrega.

Vou de imediato verificar se há algum comentário a respeito e que atenda aos requisitos para a atribuição do prêmio. Vale ainda salientar que todas as possibilidades são válidas para mostrar o que se pede: comentário no blog, e-mail, mensagem... desde que me mostrem o "print" indicando no contador de visitas o nº 9999 estará garantido o prêmio, que são dois livros que eu mostro na postagem nº 204, junto com as "regras" do jogo.

Sorte para todos.
Vou ficar aguardando! 



















quinta-feira, 10 de setembro de 2015

229 AUTONOMIA VERSUS CONFLITOS

Hoje trago uma abordagem (sempre de caráter inicial e vista através das minhas lentes já embaçadas) que está muito presente (poderia até dizer: cada vez mais presente) nas nossas escolas/sociedade: a situação conflituosa, que também conhecemos no nosso meio como indisciplina.

Perguntaram a José Pacheco se:

"Os professores tomam as situações de conflito e as transformam em conteúdo de discussão democrática nas assembleias, ou em momentos particulares? Seria essa uma das possibilidades para a escola tomar a 'indisciplina' em possibilidades de cooperação e responsabilidade com autonomia?

Certamente precisamos saber que na Escola da Ponte são realizadas semanalmente assembleias de estudantes, nas quais os mesmos decidem entre eles os rumos a tomar em relação às mais variadas temáticas. Essa postura, por lá, também é forte componente de autonomia na educação. Mas vejamos o que é respondido.

"Na Ponte, a autonomia é pensada dentro de um contexto de cooperação e de liberdade. Se não o fosse, converter-se-ia em mortal autossuficiência. Desde há trinta anos, a autonomia é vivida na relação. Ela é autônoma com os outros, solidária... Todos os momentos são relevante: os momentos de trabalho dos alunos, as reuniões semanais da assembleia, tudo serve como dispositivo e oportunidade de desenvolvimento sociomoral.
Para além de Piaget (o referencial piagetiano é incontornável), poderei referir uma autora com grande influência na Ponte, neste particular: Konstance Kamii.

Os dilemas engendrados pelas situações de conflito são fontes de debate e desenvolvimento. Não fazemos 'sermões' nem enveredamos por discursos 'moralistas', que nada acrescentam nem transformam. A indisciplina é filha dileta do autoritarismo. E nós exercemos autoridade com afabilidade. Essa benevolente autoridade é completada pelo estabelecimento de regras pelos próprios alunos. São eles que propõem, discutem, aprovam e fazem cumprir os direitos e deveres"

No primeiro encontro coletivo que mantive com a "minha escola" parceira, falava exatamente nisso: numa autonomia - à qual chamei, para efeitos de compreensão, de autonomia vigiada - e em segundo plano, mas não tão contundente como prefiro ser noutra oportunidade em que aborde a questão, o fator indisciplina. Lembro de ter sugerido que a melhor forma de "dominar" o rebelde é dar-lhe algum tipo de responsabilidade. Isso elevará um pouco sua autoestima e permitirá um "controle" mais próximo do seu emocional.

Mas para falar disso teremos outros momentos. Por hora fico feliz de perceber que lá na escolinha parceira estão compreendendo e adotando cada vez mais uma prática libertadora/inclusiva de educação, da qual já estão colhendo frutos bem saborosos.

Depois eu volto! 

Referência:

PACHECO, José e PACHECO, Ma. de Fátima: Diálogos com a Escola da Ponte. Petrópolis (RJ), Vozes, 2014.







 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

228 MOTIVAÇÃO

Perguntaram a Pacheco (2014, p.16) o seguinte:

"Imagine-se na situação de um professor numa escola tradicional, que deseja incentivar os alunos, que parecem não querer estudar e aprender aquilo que ele tem para lhes ensinar. Em seu lugar, o que vocês fariam? Que estratégias procurariam aplicar para despertar e manter a motivação dos alunos"?

Apenas pelo enunciado da questão já dá para traçar um panorama que nos é bastante conhecido (talvez até demasiadamente conhecido, pois essa é a nossa realidade!), mas como imaginamos que Pacheco respondeu? Vejamos:

"Quando o aluno não quer estudar, ou o aluno está doente ou está doente a escola, ou ambos estão doentes. Sem professores motivados, haverá alunos motivados? Se os professores só derem respostas e não se questionarem, que sentido terá ensinar? Se os alunos não forem incentivados a fazer perguntas, que sentido terá a aprendizagem (...)"?

Não saberia, eu, dar melhor resposta para equacionar, equilibrando, as ações. Poderia falar da teoria da curvatura da vara, mas ainda prefiro a reflexão aprofundada antes de utilizar meios que vão, de alguma forma, agredir a auto estima de alunos que se encontram com ela tão em baixa. Por outro lado e conforme nos diz Pacheco, não deve ser só o aluno "quem está doente", de repente os três estão com a saúde combalida. Nesse sentido, é necessário fazer um diagnóstica sério para determinar o "foco" da doença e, se possível erradicá-lo.  

É preciso conhecimento, suficiente auto controle para se auto avaliar e retomar o caminho se isso for necessário. Não podem existir os famosos super egos exaltados/agitados em questões educacionais. Precisamos fazer esse ato de contrição e um "mea culpa" que nos permitam ver um pouco mais claramente o caminho que nos levará pelo menos mais perto do sucesso. A prática refletida se transformará, pela força do hábito, na solução de parte significativa dos problemas da educação.

Por hoje só amanhã!

Ref.
PACHECO, J. e PACHECO N. de Fátima: Diálogos com a escola da ponte. Petrópolis (RJ): Vozes, 2014










terça-feira, 8 de setembro de 2015

227 UMA PAUTA DE TRABALHO DEFINIDA

A tarde foi de Júlio Joel - explico...

O nosso GE (Grupo de Estudos) foi pela primeira vez "interferir" no desenvolvimento das atividades letivas que acontecem regularmente naquela escola. Argumento:

Nós não queremos mudar nada queremos, isso sim, fazer uma reflexão sobre as práticas desenvolvidas para que possamos (numa parceria com o a comunidade escolar) ensaiar algum tipo de prática que possa vir a melhorar o que já é considerado bom. Como deixei claro na apresentação de hoje ao corpo docente e funcional da escola, nós não somos donos de nenhum saber extraordinário e nem possuidores de técnicas infalíveis= não temos nenhuma receita pronta para o caso. Temos, isso sim, a vontade de ajudar a fazer a diferença num sistema educacional que se apresenta, na sua mais completa versão em processo de falência.

Foi o dia, como diria Rubem Alves (secundado por José Pacheco), da escutatória. Foi um exercício ainda um pouco forçado pela falta de hábito, mas ao final foi possível perceber que naquela escola existem situações corriqueiras e normais a qualquer outra escola pública. No entanto, e essa era a nossa proposta, conseguimos vislumbrar os problemas que exigem uma solução mais rápida, uma ação mais "ostensiva" que possa, senão eliminar o problema, pelo menos minimizá-lo ao ponto de não oferecer mais preocupação aos docentes. A decisão, tomada em comum acordo entre as partes parceiras, nasceu da discussão e da análise conscienciosa por parte dos componentes do corpo docente e do GE.

                                   Parte do público que participou ativamente das discussões

Diante do que foi discutido, proposto e analisado, surge-me a ideia (talvez pouco brilhante) de mudar o nome do GEFP (este o seu nome atual e completo = Grupo de Estudo da Formação do Professor) e passar a chamá-lo de GEPFP = Grupo de Estudo das Práticas em Formação de Professores. Para fazer essa alteração peço aos meus parceiros a autorização que julgo ser de bom tom, afinal estamos todos no mesmo barco!

                                                Mais uma parte da audiência
  
O ponto alto da reunião foi quando, após a passagem de alguns documentários filmados sobre a experiência exitosa de José Pacheco na cidade de Cotia (SP) as nossas docentes se identificaram com muitas das práticas apontadas nos vídeos, ressaltando que estão muito perto de agir de modo semelhante. Por outro lado, foi bastante marcante a colaboração de duas ex-alunas do nosso curso de Pedagogia - hoje lotadas como professoras na escola - ao responderem um questionamento curto e direto: "Lá, na universidade, é exatamente isto que vocês aprendem, não é verdade"? O NÃO foi suficientemente sonoro para se escutar a algumas quadras de distância. Acrescentaram ainda mais que o que fazem na universidade é um faz de conta em relação à realidade que são obrigadas a vivenciar na escola. Não poderia ter ficado mais feliz! Explico...

Todo mundo sabe que venho lutando (e não é de agora!) pela reformulação do curso de Pedagogia. Nesse caso, escutar tais palavras me entusiasma a ir em frente na luta quase solitária pelo meu objetivo. Se vou conseguir? Não sei! Mas prefiro morrer tentando que permanecer no limbo da acomodação.

Quero mais uma vez destacar bem grandemente todo o acolhimento, apoio e reconhecimento de nosso trabalho que a diretora da Júlio Joel com o coro completo de todas as professoras e professores nos têm dado. Aproveito as palavras de uma das professoras para dizer que, ante todo esse apoio, o que não falta é vontade e o desejo de "burlar o sistema" que nos impõe práticas que não se podem enquadrar na realidade vivenciada. Por isso, outra proposta que foi apresentada e aprovada pela unanimidade diz respeito ao "COMO Fazer" e não ao "QUE FAZER". Explico...

O "que fazer" faz parte do Plano Nacional de Educação, mas já o "como fazer" transforma-se, na nossa prática, num casamento entre as necessidades encontradas na realidade vivenciada com a proposta de trabalho defendida por José Pacheco: Uma escola aberta, inclusiva e livre dos grilhões das "grades curriculares".

Ao final do encontro foi definida uma "Força Tarefa" para tentar dar conta do alinhamento dos conteúdos de matemática, já que o trato da leitura e escrita se encontra em ótimo ritmo e com resultados surpreendentes. Para isso servem as parcerias.

Estamos levando a Universidade até à escola. É um trabalho "solo", sem apoio de nenhuma espécie do qual só esperamos a gratidão dos resultados obtidos. 

Unidos somos muitos... unidos somos mais!